Trio de ativistas mulheres divide prêmio Nobel da Paz 2011

Duas liberianas e uma iemenita foram premiadas pela luta em favor dos direitos da mulher na construção da paz

Associated Press

07 de outubro de 2011 | 07h43

Ellen Johnson Sirleaf, Karman Tawakkul e Leymah Gbowee ganharam o Nobel da Paz 2011

 

OSLO - O Prêmio Nobel da Paz de 2011 foi anunciado nesta sexta-feira, 7, a um trio de ativistas mulheres. A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a ativista pela paz Leymah Gbowee, também liberiana, e Karman Tawakkul, jornalista e ativista do Iêmen, foram nomeadas por seu trabalho em favor dos direitos das mulheres.

 

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O Comitê Norueguês do Nobel honrou as três mulheres "por sua luta não-violenta pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres à sua plena participação na construção da paz". Ao anunciar os nomes, o comitê disse que "não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo a menos que as mulheres obtenham as mesmas oportunidades que os homens de influenciar a evolução em todos os níveis da sociedade".

 

'Jornalistas sem correntes'

 

A jornalista iemenita Karman Tawakkul, de apenas 32 anos, é mãe de três filhos e lidera o grupo de direitos humanos das mulheres "Journalists without Chains" (Jornalistas sem correntes, em tradução livre). Ela tem sido uma figura de liderança na organização de protestos contra o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, que ocorrem como parte de uma onda de revoltas anti-autoritária que convulsionou o mundo árabe. "Estou muito, muito feliz com este prêmio", disse ela à AP. "Dedico o prêmio à juventude revolucionária no Iêmen e ao povo iemenita".

 

Ao nomear Karman, o comitê parece tentar reconhecer os efeitos da primavera árabe, que tem desafiado os regimes autoritários no Oriente Médio e norte da África. Entretanto, premiar o fenômeno que ficou conhecido como primavera árabe, como um todo, poderia ter sido problemático para a comissão. Até agora, as revoltas conseguiram derrubar regimes autoritários na Tunísia, no Egito e, mais recentemente, na Líbia, onde o paradeiro do ditador Muamar Kadafi segue sendo um mistério.

 

No caso da Líbia, houve uma intervenção militar da Otan depois de uma dura guerra civil no país. Egito e Tunísia ainda estão em turbulência - embora os presidentes tenham caído. Linhas-dura estão se agarrando ao poder no Iêmen e na Síria e uma força liderada pela Arábia Saudita está esmagando o levante no Bahrein, o que leva incerteza ao movimento.

 

O presidente da comissão do Nobel, Thorbjoern Jagland, observou que o trabalho de Kamran começou antes dos conflitos árabe. "Muitos anos antes de as revoluções começarem, ela levantou-se contra um dos regimes mais autoritários e autocráticos no mundo", disse ele a repórteres. Moradora de Taiz, foco de resistência contra o regime de Saleh no sul do país, Karman é integrante do Islah, um partido islâmico. Seu pai foi ministro de Assuntos Jurídicos do presidente.

 

Em janeiro, Kamran foi detida durante algumas horas, por liderar protestos contra Saleh. Ela só foi solta depois que manifestantes se reuniram para pressionar as autoridades. Durante um comício em fevereiro, em Sanaa, ela disse à AP: "Vamos manter a dignidade das pessoas e seus direitos por derrubar o regime".

 

Primeira presidente democraticamente eleita

 

Aos 72 anos, Ellen Johnson Sirleaf é economista, formada em Harvard. Em 2005, ela se tornou a primeira presidente mulher democraticamente eleita da África. Seu país, a Libéria, foi devastada por guerras civis durante anos, até 2003. Embora os confrontos tenham enfraquecido, o país ainda luta para manter uma paz frágil, com a ajuda de forças de paz da ONU. Ao assumir o cargo, Sirleaf foi vista como um reformadora e pacificadora na Libéria. Neste mês, ela concorre à reeleição - os oponentes na campanha presidencial a acusam de compra de votos e uso de fundos do governo para fazer campanha. Ela nega as acusações.

 

O comitê premiou os esforços de Sirleaf para assegurar a paz em seu país, promover o desenvolvimento econômico e social e reforçar o papel das mulheres na construção da Libéria.

 

Mulheres cristãs e muçulmanas

 

A terceira escolhida pelo Comitê do Nobel em Oslo é Leymah Gbowee, ativista liberiana. Ela organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas para desafiar os "senhores da guerra" no país. A homenagem com o prêmio veio em reconhecimento aos esforços de Gbowee para mobilizar mulheres "de diversas linhas étnicas e religiosas para pôr fim à longa guerra na Libéria, e por assegurar a participação das mulheres nas eleições". Em 2009, ela ganhou o Courage Award (prêmio da coragem, em tradução livre), pelo trabalho no encorajamento das mulheres na Libéria. O prêmio leva esse nome para homenagear o livro homônimo de John F. Kennedy, ganhador do Pulitzer de 1957.

 

Texto corrigido e atualizado às 16h36

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