Tríplice fronteira preocupa OEA

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gavíria, afirmou hoje, em entrevista no Itamaraty, que há uma preocupação continental com as atividades ilícitas na região da tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, sobretudo com o contrabando no lado paraguaio. "A lei não prevalece nessa região. Há grandes quantidades de atividades sem regulação que podem gerar instabilidade", afirmou Gavíria. "Refiro-me particularmente ao Paraguai, cujo comércio na fronteira é, em grande parte, fruto do contrabando. Esse tipo de atividade não está sob controle do Estado". Gavíria afirmou ainda que na região existem circunstâncias especiais para atuação de grupos armados. Ele, entretanto, ressaltou que compete apenas aos próprios países da região adotarem medidas de controle e que não se pode esperar ações de organismos internacionais ou de outras nações.Gavíria lembrou que, logo depois dos atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos, a OEA teve uma pronta reação. Entre as ações adotadas estão a assinatura da Carta Democrática Ibero-Americana no mesmo dia, e a convocação dos membros do Tratado Ibero-Americano de Assistência Recíproca (TIAR), que foi solicitado pelo Brasil.O secretário informou que existe um comitê da OEA, criado há dois anos, que se dedica exclusivamente à cooperação entre os países no combate ao terrorismo, à lavagem de dinheiro, ao narcotráfico e outros atos ilícitos. No âmbito desse comitê, está sendo agora trabalhado o texto de uma convenção americana sobre o terrorismo. A OEA está também organizando, para 2003, uma conferência sobre a segurança hemisférica. Gavíria concedeu entrevista coletiva após almoçar com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo informou, eles trataram das perspectivas para a América Latina e se concentraram em questões relacionadas com a Argentina, a Colômbia e os países centro-americanos.

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