Trípoli sofre com salários atrasados e falta de água

Juntamente com lucros do petróleo, US$ 15 bi liberados ontem em Paris chegarão em meio à situação crítica

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

TRÍPOLI - Os moradores de Trípoli reagiram à conferência dos "amigos da Líbia", que reuniu cerca de 60 países em Paris, com uma mistura de gratidão e altivez. A população agradecia pela preocupação internacional com a Líbia e pela ajuda dada pela Otan na luta contra o ditador Muamar Kadafi. Altivez porque foram os líbios que tiveram a iniciativa de depor o ditador e enfrentaram seis meses de guerra civil.

 

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Agora, os líbios têm os recursos econômicos para reconstruir o país - bastando que os depósitos de Kadafi no exterior sejam descongelados e o petróleo volte a ser exportado. "A Líbia tem cidadãos preparados, dinheiro e os líbios podem salvar o país sem ajuda estrangeira", disse Jessem Duebi, de 39 anos, ex-funcionário do Ministério da Saúde, que perdeu o emprego há três meses depois de rejeitar lutar em favor do regime.

"Agradecemos aos países que nos ajudaram a lutar contra Kadafi, mas agora só precisamos de tempo e do envio do dinheiro que é nosso", completou Duebi.

O Conselho Nacional de Transição afirma que o dinheiro liberado dos depósitos no exterior e os US$ 210 milhões em notas de dinares líbios enviados pela Grã-Bretanha serão usados prioritariamente no pagamento de salários. Mas há também outras necessidades urgentes. Segundo um cálculo da ONU, 60% dos 2 milhões de moradores de Trípoli estão sem água. Há blecautes e telefones não funcionam bem. Nos postos de combustíveis formam-se filas quilométricas.

"Precisamos de tudo, mas só queremos agora que os países coloquem em prática o que decidiram na cúpula", disse Hafod al-Balul, de 40 anos, civil que presta serviços gerais ao Exército. À pergunta sobre do que os líbios precisam, Balul respondeu: "Só precisamos de liberdade".

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