Presidência da Ucrânia/AFP
Presidência da Ucrânia/AFP

Tripulação de navio ucraniano desafia russos e é morta no Mar Negro

Os 13 guardas de fronteira que foram vítimas do ataque receberam o mais alto título honorífico pelo presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 14h57
Atualizado 25 de fevereiro de 2022 | 16h34

Enquanto os militares russos atacavam alvos em toda a Ucrânia com uma série de bombas e mísseis, uma pequena equipe de guardas de fronteira ucranianos em uma ilha rochosa e desolada recebeu uma mensagem sinistra: desista ou seja atacado.

“Sou um navio de guerra russo”, disse a voz dos invasores, de acordo com uma gravação das comunicações. “Peço que deponham suas armas e se rendam para evitar derramamento de sangue e mortes desnecessárias. Caso contrário, vocês serão bombardeados.”

Os ucranianos responderam com ousadia. “Navio de guerra russo”, foi a resposta, “vai se f...”. Os russos abriram fogo, matando os 13 guardas de fronteira.

A informação da desafiadora última batalha no Mar Negro se tornou pública nesta quinta-feira, 24, destacando as decisões sombrias que os ucranianos enfrentaram durante o maior ataque a uma nação europeia desde a 2.ª Guerra Mundial. 

O presidente ucraniano Volodmir Zelenski disse horas depois que os defensores da ilha receberão o título de "Herói da Ucrânia", o mais alto título honorífico que o líder ucraniano pode conceder.

Uma cópia da gravação foi postada no site da agência de notícias ucraniana Ukrayinska Pravda, e um funcionário ucraniano confirmou sua autenticidade ao The Washington Post. Uma gravação separada, postada no TikTok, mostra o que parece ser um guarda de fronteira de capacete e balaclava no atol, também conhecido como Ilha Zmiinyi, ou Ilha da Cobra, xingando depois de ser atacado. Seu perfil o lista como um jovem de 23 anos de Odessa, uma cidade portuária no Mar Negro.

Histórias de resistência em meio ao derramamento de sangue vieram de toda a Ucrânia. Zelensky, falando em uma entrevista coletiva, disse que os guardas de fronteira tentaram proteger a ilha durante grande parte da quinta-feira antes de morrerem. Pelo menos 137 ucranianos foram mortos em menos de um dia de combates, com as operações continuando, disse o presidente ucraniano.

Um alto funcionário da defesa dos EUA, falando sob condição de anonimato para discutir as operações com franqueza, reconheceu ter ouvido sobre o ataque à Ilha das Cobras na sexta-feira e descreveu a troca como “tanto angustiante quanto inspiradora”.

“Certamente reflete o que vimos nas últimas 24 horas, que são os ucranianos dispostos a lutar por seu país e fazê-lo com bravura”, disse a autoridade.

A notícia do confronto gerou admiração nas redes sociais. "Desafio!!!" twittou Florent Groberg, um veterano do Exército que ganhou a Medalha de Honra por bravura no Afeganistão. “Esses patriotas ucranianos nunca devem ser esquecidos. Poucos entendem o que é a verdadeira coragem… é isso #StandWithUkraine.”

“O que diz sobre a Ucrânia que eles têm homens e mulheres que não se renderiam a uma força esmagadora”, tuitou o deputado democrata Ruben Gallego, um veterano do Corpo de Fuzileiros Navais. “A Ucrânia é um país que quer ser independente.”

Gallego ecoou a declaração desafiadora final dos guardas de fronteira, postando um emoji de dedo médio.

Embora isolada, a ilha de 170 mil m² marca a borda das águas territoriais da Ucrânia, dando-lhe um papel estratégico dentro do Mar Negro, conectando um corredor de navegação às cidades ucranianas de Odessa, Mykolaiv e Kherson.

A ilha pouco povoada mudou de mãos várias vezes ao longo do século passado, servindo como um posto militar para radar e outros equipamentos. Após a 1.ª Guerra Mundial, a ilha foi tomada pela Romênia. A União Soviética assumiu o controle após a 2.ª Guerra Mundial, levando à construção de um farol e base militar, de acordo com um histórico da disputa publicado na Queen's University, no Canadá.

A ilha tornou-se da Ucrânia após a dissolução da União Soviética em 1991, embora a Romênia continuasse a disputar a propriedade. Um tribunal internacional acabou deixando a Ucrânia no controle da ilha e a Romênia com a posse de grande parte das águas circundantes. /Washington Post

Tudo o que sabemos sobre:
Ucrânia [Europa]Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.