AP Photo/Christophe Ena
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Tripulantes da Air France ganham direito de 'não voar' para o Irã após polêmica do lenço

Segundo a companhia, as mulheres de sua equipe poderão optar por não trabalhar nas rotas para Teerã após alguns de seus funcionários disserem não querer ser forçados a cobrir suas cabeças; voos serão retomados dia 17

O Estado de S. Paulo

04 Abril 2016 | 16h57

PARIS - A companhia aérea Air France afirmou nesta segunda-feira, 4, que permitirá que mulheres de sua tripulação e pilotos poderão optar por não trabalhar nas rotas aéreas para Teerã após alguns de seus funcionários disserem não querer ser forçados a cobrir suas cabeças enquanto estiverem no Irã. 

A Air France está se preparando para retomar os voos para Teerã no dia 17 após um hiato de oito anos em razão das sanções internacionais. 

Após uma reunião entre gerentes da companhia aérea e representantes dos sindicatos nesta segunda-feira, a companhia disse que ofereceria à equipe feminina a escolha de não fazer o voo. 

Sob a lei iraniana, mulheres devem cobrir seus cabelos em lugares públicos. Sindicatos demonstraram preocupação sobre a determinação da Air France obrigando as mulheres da empresa a usar o lenço ao sair da aeronave. 

O debate sobre o uso do lenço e outros símbolos religiosos em público é particularmente polêmico na França, que defende a importância da separação entre as instituições religiosas e do Estado. 

"Essa obrigação não se aplica durante o voo e é respeitada por todas as companhias aéreas internacionais que atendem a República do Irã", afirmou a Air France, em um comunicado nesta segunda-feira. 

Uma porta-voz da British Airways, que planeja retomar os voos para o Irã do Aeroporto de Heathrow no dia 14 de julho, disse que fará as recomendações mais perto da data. 

A alemã Lufthansa, que continuou com seus voos para Teerã, afirmou não ter tido nenhum problema com a tripulação sobre seguir a regra para se cobrir com o lenço em espaços públicos.

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