Tripulantes permanecem reféns em avião sudanês seqüestrado

Aeronave com cerca de 100 pessoas a bordo aterrissa em oásis no deserto da Líbia; passageiros são libertados

Reuters,

27 de agosto de 2008 | 09h23

Seqüestradores que forçaram um avião sudanês a pousar na Líbia libertaram todos os passageiros nesta quarta-feira, 27, mas ainda mantêm seis tripulantes, informou uma autoridade responsável pela aviação libanesa. A aeronave foi seqüestrada na terça-feira depois de deixar a conturbada região de Darfur, no Sudão, e foi forçada a aterrissar no oásis de Kufrah, no deserto do Saara. O avião saiu da capital de Darfur do Sul, Nyala, para Cartum. A Líbia concedeu permissão para o avião pousar depois que o piloto disse que eles estavam ficando sem combustível, segundo a agência de notícias estatal líbia. Os seqüestradores disseram ser membros de uma facção rebelde de Darfur. A Autoridade Civil de Aviação da Líbia disse que 95 passageiros estavam no Boeing 737/200. Todos eram sudaneses, com exceção de dois passageiros do Egito, dois da Etiópia e um da Uganda. Todos foram libertados, junto com duas mulheres que faziam parte da tripulação. Outros seis tripulantes continuam em poder dos rebeldes. "As negociações continuam com os seqüestradores para libertar os outros tripulantes e para que eles se entreguem", disse o chefe da Autoridade Civil de Aviação da Líbia, Mohamed Shlibek, de acordo com a agência estatal de notícias Jana. Ele disse que os criminosos reiteraram o pedido para que o avião seja reabastecido para que voe a Paris. A Autoridade Civil de Aviação do Sudão disse que dois seqüestradores exigiram status de refugiados no país. "Eles pediram por direito de asilo político, status de refugiados. Esta foi sua primeira exigência", disse o porta-voz Abdel Hafiz Rahim. A identidade dos homens que tomaram o avião ainda não está clara. O piloto disse às autoridades libanesas que eles seriam membros de um braço do Movimento da Libertação do Sudão, grupo rebelde de Darfur, e queriam se encontrar com o líder Abdel Wahed Nur em Paris, segundo a agência Jana.  Mas o grupo negou veementemente que os seqüestradores fossem seus membros. Outra facção do Movimento, que assinou acordo em 2006 com Cartum apesar de Nur ser contra, disse que, entre os passageiros do avião estavam sete oficiais seus, três dos quais eram membros de um governo regional transicional, em Darfur. "Estamos muito, muito preocupados e estamos fazendo tudo o que podemos para entrar em contato com eles", disse Mohammed Bashir, importante membro de uma facção liderada por Minni Arcua Minnawi, único grupo rebelde de Darfur a assinar um acordo de paz. Darfur vive um conflito desde que explodiu uma rebelião contra o comando de Cartum, há cinco anos. Especialistas dizem que mais de 2,5 milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas e 200 mil pessoas foram mortas. O número de mortos oficial é de 10 mil. Os rebeldes estão divididos entre várias facções no país.

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