Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Triunfo chavista obriga oposição a rever estratégia na Venezuela

Fracasso de protestos de rua e em eleições regionais tornam plano para derrotar Maduro nas urnas em 2018 um objetivo distante

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 05h00

CARACAS - A oposição venezuelana está num beco sem saída. A vitória chavista em 17 de 23 Estados nas eleições envoltas em denúncias de fraude no último domingo deixou a Mesa da Unidade Democrática (MUD) sem esperança de uma eleição presidencial justa no ano que vem. A pressão internacional contra o presidente Nicolás Maduro ainda não deu frutos e as ruas estão vazias. Agora, opositores discutem se a urna é a melhor estratégia contra o governo. 

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Num golpe contra as esperanças da MUD, o líder bolivariano antecipou-se ontem ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e anunciou a vitória do candidato chavista ao governo de Bolívar – o último Estado onde os votos da eleição ainda não tinham sido totalizados. 

“As pessoas não acreditam mais nem em protestos nem em eleições”, disse a cientista política Jennifer McCoy, da Universidade da Geórgia. “Ou vão se resignar, ou deixar o país, ou – os mais extremados – pegarão em armas.”

Maduro preside um país imerso no caos. Desde sua posse, em 2013, a Venezuela viu suas reservas internacionais erodirem. O controle de câmbio colapsou a produção interna de alimentos, bem como a importação de insumos para medicamentos, o que provocou uma crise alimentar e de saúde pública. O país está com hiperinflação, com produção de petróleo sucateada, e nas próximas semanas, Maduro terá de pagar US$ 3,5 bilhões à banca internacional em juros de títulos da dívida externa. 

Para não declarar moratória, o presidente recorreu ao líder russo Vladimir Putin, interessado tanto nos ativos petrolíferos de Caracas, quanto sua importância geopolítica na América Latina. “A direita enganou a opinião pública”, disse o prefeito do distrito caraquenho de Libertador, Jorge Rodríguez. “A Venezuela mostrou ao mundo o que é democracia.”

Dilema

Antes da convocação das eleições regionais, que deveriam ter ocorrido no ano passado, a MUD debateu se deveria boicotá-las, a exemplo do que fez com a Constituinte. Uma facção, que saiu-se majoritária, argumentava que a adesão poderia facilitar o monitoramento de fraudes e um bom resultado poderia criar força política para a eleição do ano que vem. 

Os resultados foram decepcionantes e o clima é de incerteza. “Faremos uma avaliação de nossas políticas e estruturas para ver onde podemos melhorar”, disse Angel Oropeza, coordenador político da MUD. “A oposição está dividida e confusa”, disse Francisco Monaldi, da Rice University. “Você não consegue mobilizar seus partidários por um lado e do outro não conseguiu nem prever nem provar as fraudes.”

Para o diretor escolar Alfonso Rovira, de 54 anos, opositor que vive em Caracas, no entanto, os sinais eram claros. “Estava na cara que seríamos enganados outra vez.” / AFP e BLOOMBERG

 

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