Sérgio Neves / Estadão
Sérgio Neves / Estadão

Triunfo da Revolução Cubana influenciou gerações e cultura

Guerrilha cubana inspirou ao longo do século 20 movimentos de resistência e intelectuais e foi base para filmes e obras artísticas em todo o mundo

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2016 | 05h00

A história de um punhado de militantes que atravessaram o Mar do Caribe num pequeno barco, instauraram uma guerrilha e derrotaram uma ditadura inspirou não só filmes e intelectuais, mas também movimentos de resistência na cidade e no campo em diversos países da América Latina e da África ao longo do século 20.

Da mobilização de estudantes e guerrilheiros durante a ditadura militar no Brasil, ao Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), passando pelo apoio ao Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela, e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, de Manuel Marulanda, o triunfo da Revolução Cubana carregou consigo simbolismo duradouro que perdurou por toda a segunda metade do século 20.

Após a marcha vitoriosa de Fidel em Havana, movimentos inspirados na Revolução Cubana se espalharam pela América Latina à mesma medida que governos militares se instauravam na região. Os tupamaros no Uruguai, as Farc, na Colômbia, o Sendero Luminoso no Peru e o Movimento Esquerdista Revolucionário no Chile são exemplos disso. No Brasil, MR-8, Var-Palmares e diversos grupos criados após a instalação da ditadura militar, também.

Em 1975, Cuba chegou a intervir militarmente em Angola, em apoio a MPLA. A ação foi crucial para o triunfo do grupo na Guerra de Independência Angolana.

Intelectualidade. Nos anos 1960, a Revolução Cubana também inspirou intelectuais, sobretudo na França. O filósofo Jean-Paul Satre chegou a viajar a Cuba para conhecer de perto o país. “Fidel surgiu quando o stalinismo começava a decair. Tinha algo de esperança, algo salvador”, disse Jean Daniel, fundador da revista Le Nouvel Observateur, que na época entrevistou Fidel.

Quando anunciou triunfante o início da revolução no balcão da prefeitura de Santiago de Cuba, em 1º de janeiro de 1959, Fidel ainda não era comunista, mas sem dúvida era uma esperança para as esquerdas. “Havia uma simpatia imediata e irresistível”, disse o ex-ministro socialista francês Jack Lang. “Suas primeiras medidas foram a favor da educação e da saúde, que seduziam quem sonhava com uma sociedade melhor na França ou em outros países.”

Em plena Guerra Fria, diversos intelectuais franceses aderiram à Revolução Cubana. O ator Gérard Philipe chegou a apertar a mão de Fidel em 1959. Outros seguiram seu exemplo como o fundador do Médicos Sem Fronteira, Bernard Kouchner.

Filmes. Nas artes, o impacto também foi duradouro. Em O Poderoso Chefão 2, Michael Corleone e seus associados participavam de uma animada e luxuosa recepção de Ano Novo em Havana, patrocinada pelo então ditador Fulgencio Batista, quando os guerrilheiros barbudos da Sierra Maestra, liderados por um tal Fidel Castro, acabaram com a festa.

O sonho do poderoso chefão de expandir negócios em Cuba acaba e depois Michael dá o beijo da morte em Freddo, o irmão que o traiu. Cuba, Fidel e a Revolução também foram retratados em outros filmes, como Che, o Argentino, de Steve Soderbergh, e 13 Dias que Abalaram o Mundo. / AFP 

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