Troca de comando dos EUA muda a guerra no Afeganistão

Substituição de general sinaliza deterioração da situação do conflito de sete anos contra a insurgência

Agências internacionais,

12 de maio de 2009 | 09h38

Depois de apenas 11 meses no cargo, o principal comandante americano no Afeganistão, o general David McKiernan, foi substituído na segunda-feira, 11, em uma abrupta tentativa de tornar a estratégia para o conflito de mais de sete anos no país mais agressiva e inovadora. O secretário de Defesa, Robert Gates, anunciou a decisão com poucos comentários, afirmando que a "missão exige um pensamento novo e uma abordagem nova por parte dos líderes militares".

 

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A medida reflete uma opinião de que a guerra no Afeganistão, contra um Taleban cada vez mais forte e seus simpatizantes por todo o país, está crescendo e se tornando cada vez mais complexa. Segundo o jornal The New York Times, McKiernan, um respeitado oficial de carreira, foi retirado porque apresentou uma estratégia muito convencional para o desafio. "Nós podemos e precisamos melhorar nossa atuação" no Afeganistão, afirmou Gates.

 

Ele será substituído pelo general Stanley McChrystal, que atuou muitos anos no comando na chamada Special Ops, a divisão de elite das Forças Armadas que atua em missões ultrassecretas. McChrystal comandou a equipe que capturou Abu Musab al-Zarqawi, um dos líderes da Al-Qaeda no Iraque.

 

Segundo Gates, McChrystal traz grande experiência de táticas de contrainsurgência que foram usadas com sucesso no Iraque, quando o general coordenava a divisão de elite no país. As táticas de contrainsurgência são essenciais neste momento em que os EUA estão enfrentando o aumento do poder do Taleban e a hostilidade do povo afegão, por causa da morte de civis em ataques aéreos.

 

Fontes do Exército dizem que ele era considerado muito "velha guarda" e não produzia resultados satisfatórios, além de ser visto como um militar concentrado mais nos combates do que em "ganhar corações e mentes" dos civis. McKiernan também não estaria se integrando na estratégia batizada de AfPak, de encarar Afeganistão e Paquistão como uma única área de conflito, embora as forças dos EUA não possam entrar no Paquistão. Segundo militares, McKiernan foi "fritado" por muito tempo.

 

Os EUA têm optado por muitos ataques aéreos, que estão causando centenas de mortes de civis e provocando indignação. A troca de comando ocorre no momento em que se acirram os atritos frequentes entre autoridades paquistanesas e afegãs envolvendo justamente esses bombardeios.

 

Na semana passada, um ataque aéreo atribuído aos EUA deixou 140 mortos na Província de Farah (mais informações ao lado). A autoria do massacre ainda é investigada. Os americanos acusam o Taleban de ter matado pelo menos parte dos civis e consideram o número final de mortos exagerado. O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu que os EUA parem com os ataques aéreos. McKiernan normalmente ficaria entre 18 e 24 meses no cargo. Questionado sobre se o afastamento seria o fim da carreira do militar, Gates respondeu: "Provavelmente."

 

O novo comandante, McChrystal, coordenou as operações especiais no Iraque e é próximo do general David Petraeus, chefe do Comando Central, responsável por Iraque e Afeganistão. Desde que voltou do Iraque, McChrystal prepara equipes especiais para missões de contrainsurgência.Trata-se da mesma estratégia que McChrystal usou no Iraque.

 

(Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e The New York Times)

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