Troca de Shalit por prisioneiros é questionada por Israel

A troca do soldado israelense Gilad Shalit, cativo em Gaza, por prisioneiros palestinos reclusos em Israel foi colocada em dúvida, porque seus seqüestradores, islamitas do Hamas, exigem a libertação de detentos "com sangue nas mãos".Atualmente, este é o maior obstáculo para concretizar a troca, segundo os comentaristas da imprensa local, e a decisão final depende do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que aguarda um estudo dos nomes incluídos na lista de prisioneiros que, por meio do Egito, recebeu este fim de semana.O estudo preliminar está sendo feito por funcionários do Serviço de Segurança Geral (Shin Bet), informa o jornal Yedioth Ahronoth, que prevê a inclusão de vários prisioneiros que estão há anos nas prisões onde cumprem longas penas por ataques sangrentos.Shalit, soldado raso de 20 anos, foi seqüestrado em junho do ano passado quando se encontrava em sua base, ao sul da Faixa de Gaza, em território israelense, por comandos do Hamas, dos Comitês Populares da Resistência e de um desconhecido "Exército Islâmico" que conseguiram chegar até esse local usando um túnel subterrâneo.Prisioneiros polêmicosSegundo a imprensa local e fontes palestinas, entre os prisioneiros mais conhecidos da lista para a troca estão Marwan Barghouti, o "Nelson Mandela palestino", e o líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), Ahmad Saadat, ambos condenados como autores intelectuais do assassinato de seis civis israelenses, entre eles um ministro de Estado, Rajabam Zeevi.Barghouti, aprisionado pelo Exército israelense em 2002, no distrito cisjordaniano de Ramala, foi julgado pelo tribunal do distrito de Tel Aviv como responsável pelo assassinato de cinco israelenses nas mãos de milicianos do movimento Fatah.Israel trocou em outras ocasiões seis de seus soldados por um total de mais de seis mil prisioneiros em seu poder, julgados por crimes de segurança.A última troca aconteceu em janeiro de 2004, quando o Estado judeu libertou 400 palestinos e 21 libaneses, além de devolver os corpos de 59 combatentes, pelos cadáveres de três soldados israelenses mortos e por um tenente-coronel em reserva vivo, Eljanan Tenenbaum, em poder da milícia do Hisbolá.Entre os que recuperaram sua liberdade na ocasião estavam dois dirigentes do Hisbolá (Partido de Deus) no sul do Líbano, Mustafá Durani e Abed El Karim Obeid, capturados pelo Exército.Segundo a edição deste domingo do jornal Ha´aretz, o principal obstáculo para concretizar a troca de Shalit por centenas de palestinos presos, de um total calculado em aproximadamente dez mil em poder de Israel, é a identidade dos incluídos na lista.Barghouti, ex-legislador do Fatah que foi recebido há alguns anos no Parlamento israelense (Knesset), e outros prisioneiros intervêm nas negociações por meio de emissários, segundo o Yedioth Ahronoth.O número de prisioneiros que seriam libertados na troca por Shalit oscila entre 450 e 1.400, segundo diversas versões. A libertação destes presos aconteceria de forma gradual.A imprensa local afirma que o soldado israelense será conduzido ao Egito após a libertação de um primeiro grupo de presos, provavelmente doentes, mulheres e menores, estes últimos aprisionados antes de tentar perpetrar ataques suicidas, segundo as acusações.Após a libertação de um segundo grupo de prisioneiros, Shalit seria trasladado do Egito a Israel, que se comprometeria a libertar depois os últimos incluídos no acordo de troca.

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