Troca de tiros segue ameaçando paz na Síria, diz Liga Árabe

País não está cumprindo plano para o fim da violência, segundo o organismo.

BBC Brasil, BBC

02 de janeiro de 2012 | 13h28

Trocas de tiros e a presença de franco-atiradores continuam a fazer parte do cotidiano das cidades da Síria, disse nesta segunda-feira o secretário-geral da Liga Árabe. O organismo possui uma missão de observadores acompanhando o desenrolar da crise no país.

Segundo Nabil al-Arabi, os franco-atiradores no topo de edifícios permanecem alvejando civis e disparos de tiros ameaçam o cumprimento de um plano de paz estabelecido pela Liga Árabe para a Síria.

É justamente a implementação desse plano - que inclui fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos - que os observadores da Liga têm a missão de supervisionar.

"(Ainda) há troca de tiros. É necessária a suspensão total desses disparos", disse Arabi, em coletiva no Cairo (Egito), segundo a agência France Presse, acrescentando que era difícil identificar a origem dos disparos.

O secretário-geral afirmou também que a Liga Árabe vai produzir um relatório sobre a primeira semana de trabalho dos cerca de 60 observadores e decidir se será necessário elevar o número de participantes da missão na Síria.

Ao mesmo tempo, acrescentou que o Exército sírio recuou sua presença em áreas residenciais e de arredores de algumas cidades.

Dados da ONU apontam que mais de 5 mil pessoas morreram nos episódios de violência relacionados à repressão do governo a protestos pró-democracia.

Os protestos, em curso desde março, pedem o fim do regime do presidente Bashar al-Assad, que atribui a ação dos manifestantes a "terrorismo" financiado no exterior.

Frustração

A missão da Liga Árabe está na Síria desde terça-feira passada, para monitorar o cumprimento do acordo de pacificação, que propõe o fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos.

Mas a violência no país não parece ter diminuído na última semana, fazendo com que cresça a frustração de manifestantes sírios em relação à Liga Árabe. Também há críticas de manifestantes à atuação do chefe da missão da Liga, o sudanês Mustafa al-Dabi, acusado por alguns de ser simpático ao regime de Assad.

No último domingo, o conselho consultivo da Liga pediu a retirada dos observadores da organização em missão na Síria, por causa da repressão do governo Assad aos protestos.

O conselho de 88 delegados dos Estados-membros da organização não tem força de lei e opera separadamente da Liga.

O presidente do conselho, também chamado Parlamento Árabe, Ali Al-Salem al Dekbas, disse que os monitores devem deixar o país "considerando a continuidade da morte de civis inocentes pelo regime sírio".

"Isso (a missão) está dando ao regime sírio uma cobertura árabe para continuar com suas ações desumanas sob os olhos e ouvidos da Liga Árabe", disse Dekbas.

Mais de 150 pessoas foram mortas desde que os monitores chegaram ao país, de acordo com ativistas.

Outras dez teriam morrido nesta segunda-feira, seis delas na conturbada cidade de Homs. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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