Bryan Denton/The New York Times
Bryan Denton/The New York Times

Tropas anti-Kadafi cercam cidade leal a ditador e dizem saber onde ele está

Fracassam as negociações entre membros do Conselho Nacional de Transição e forças leais ao ditador em Bani Walid, 150 km ao sul de Trípoli, um dos quatro redutos fiéis ao regime; ministro do Petróleo afirma conhecer paradeiro de líder líbio

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI

As negociações para a rendição das forças leais a Muamar Kadafi em Bani Walid, 150 km a sudeste de Trípoli, foram encerradas sem sucesso ontem à noite. Os combatentes anti-Kadafi cercaram a cidade pelo leste, sul e oeste (ao norte está o Mar Mediterrâneo) e estavam a apenas 10 km em um dos flancos. Um ataque parecia iminente. O ministro do Petróleo do Conselho Nacional de Transição (CNT), Ali Tarhouni, disse que o grupo sabe onde Kadafi está.

O condutor das negociações pelo lado das forças anti-Kadafi, Abdullah Kenchil, disse que os militares leais ao regime não estavam agindo "de boa-fé". Os oficiais, entre eles dois coronéis, exigiram que os militantes anti-Kadafi entrassem na cidade desarmados. "Estou transferindo o problema para o comandante militar", declarou Kenchil. As forças do CNT têm 2 mil homens ao redor da cidade e estima-se que haja apenas 100 soldados leais a Kadafi no lugar.

Mahmud Abdul Azil, de uma das brigadas sob as ordens do CNT, declarou mais cedo à agência Reuters que os combatentes estavam prontos para entrar na cidade. Ele acrescentou que as forças de Kadafi haviam disparado contra os opositores durante a noite. A instrução, transmitida à distância pelos combatentes anti-Kadafi, era para que os moradores de Bani Walid ficassem em suas casas e ninguém tentasse entrar nem sair da cidade. "Se Deus quiser não haverá derramamento de sangue", disse Azil. Aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobrevoavam a área.

Bani Walid é reduto da tribo Warfallah, a mais populosa da Líbia, que foi base de apoio a Kadafi e um dos últimos redutos do regime, ao lado de Sirte, no leste, Sabha e Jufrah, no sul.

De acordo com informações não confirmadas, dois filhos de Kadafi estiveram em Bani Walid até sábado: Saif al-Islam, que era preparado para ser o sucessor do pai, e Moatassem, que ocupava a chefia do Conselho de Segurança Nacional.

Esconderijo. A declaração de que o CNT sabe onde o ditador está foi dada à rede de TV Al-Jazira pelo ministro do Petróleo, Ali Tarhouni. Ele não deixou claro se acreditava que Kadafi ainda poderia estar em Bani Walid. A mulher e três filhos do ditador escaparam para a Argélia semana passada, o que provocou protestos do CNT.

Uma fonte do CNT citada pela BBC confirmou a morte de Khamis, outro filho de Kadafi, que comandava a mais poderosa brigada do regime. Segundo essa informação, Khamis estava a caminho de Bani Walid quando sofreu uma emboscada dos combatentes anti-Kadafi. Na ação, teria morrido também um filho do chefe do serviço de inteligência, Abdullah Sanussi, cunhado do ditador.

Há especulações de que Kadafi também tenha passado por Bani Walid. Uma das versões é a de que ele teria escapado pela tubulação do Grande Rio Artificial, por ele mesmo construído nos anos 90, que vai de Bani Walid até a norte de Sabha (787 km ao sul de Trípoli). A fuga poderia ser a explicação para a interrupção do abastecimento de água para Trípoli. O CNT anunciou ontem ter assumido o controle de toda a área percorrida pelo aqueduto.

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