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Tropas australianas chegam ao Timor para reforçar segurança

Presidente continua em estado grave, porém estável, após ser baleado; governo declara toque de recolher

Reuters e Associated Press,

12 de fevereiro de 2008 | 08h58

Tropas australianas começaram a chegar nesta terça-feira, 12, a Timor Leste para ajudar na implantação de um estado de emergência, decretado depois do atentado que deixou o presidente José Ramos-Horta gravemente ferido. Além dos soldados, a Austrália também enviou um navio militar para a costa ao largo de Díli.   Veja Também Leia entrevista de Ramos-Horta ao 'Estado' Presidente do Timor Leste é baleado em casa Lula repudia atentado contra presidente Ramos-Horta é figura central há 30 anos Miséria e violência: combustíveis da crise As tentativa de assassinato na segunda-feira contra Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão - heróis da independência timorense - jogou o pobre país que só recentemente conquistou sua independência numa nova crise, como temores de mais levantes e turbilhão político.   Ramos-Horta foi levado para Darwin (norte da Austrália) e, segundo os médicos, será mantido sob aparelhos até a semana que vem. Ele sofreu ferimentos no peito, nas costas e na barriga, e deve voltar a ser operado nas próximas 36 horas. "Sua condição permanece extremamente séria, mas, ao mesmo tempo, estável", disse Len Notaras, gerente do Real Hospital de Darwin. "Ele ficará em coma induzido pelo menos até quinta-feira, na UTI até domingo ou segunda-feira da semana que vem." A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que 11 pessoas foram interrogadas em relação ao ataque de segunda-feira, no qual um líder rebelde também foi morto, e que as forças internacionais de segurança reagiram prontamente.   "As investigações serão extensas e contínuas, mas esperamos apresentar o primeiro relatório sobre os progressos ao procurador-geral nesta tarde ou amanhã de manhã", disse Finn Reske-Nielsen, chefe interino da missão da ONU, em entrevista coletiva.   Os primeiros de um contingente de 120 soldados australianos desembarcaram na capital Díli para reforçar a missão internacional de paz no país. Mais cedo, cerca de 30 policiais australianos haviam chegado para reforçar uma missão da ONU já no Timor Leste.   Cerca de 1.600 policiais a serviço da ONU, apoiados por cerca de mil soldados australianos, patrulham Díli e outras cidades. Há temores de novos ataques dos soldados rebeldes, apesar de seu líder, Alfredo Reinado, ter sido morto no atentado à casa do presidente. Estado de emergência   O presidente em exercício Vicente Guterres anunciou a imposição do estado de emergência por dois dias num discurso à nação por rede de rádio e tevê. Ficam proibidas manifestações públicas, a polícia ganha poderes extras de busca e prisão e um toque de recolher noturno é imposto. "Nosso país está agora numa situação extraordinária e um estado de emergência irá trazer de volta a normalidade", disse Guterres. "Peço a colaboração de vocês". "O governo de Timor Leste está firmemente no controle", disse o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, que vai nesta semana ao pequeno país. O comandante militar timorense, general Taur Matan Ruak, pediu uma investigação sobre os incidentes de segunda-feira e questionou o papel das forças internacionais.  "Houve uma falta de capacidade demonstrada pelas forças internacionais, que têm a responsabilidade primária pela segurança dentro de Timor Leste", disse ele em entrevista coletiva, na qual também pediu que a mídia e a opinião pública pressionem os seguidores de Reinaldo, agora refugiados nas matas, a voltarem a negociar. Enquanto o presidente interino discursava, soldados e policiais internacionais patrulhavam as ruas de Díli e efetuavam buscas em carros em postos de checagem. A maioria das lojas e negócios abriram e o tráfico era normal. Não houve notícias imediatas de conflitos. Ramos-Horta, 58 anos, dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 1996 com o bispo Carlos Belo, pela luta pacifica deles pela independência de Timor, então sob ocupação indonésia. Ele foi baleado na manhã de segunda-feira (noite de domingo no Brasil) quando fazia exercícios em sua casa. O governo disse ter havido uma tentativa de golpe promovida por Reinaldo.

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