HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Tropas brasileiras no Haiti rumam ao norte para ajudar população durante passagem do Irma

Decisão foi tomada depois de autorização dada pela ONU para estender a atuação dos militares brasileiros na Minustah, que terminou na quinta-feira

Luciana Garbin, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 11h23
Atualizado 06 Setembro 2017 | 18h47

Tropas brasileiras no Haiti seguiram na manhã desta quarta-feira, 6, para a região de Saint-Marc, no norte do país, para ajudar a população durante e após a passagem do furacão Irma.

A decisão foi tomada depois da autorização da ONU para estender até 17 de setembro a atuação dos militares brasileiros na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), que havia terminado na quinta-feira, 31 de agosto.

“Às 11 horas, enviei dois grupamentos de 48 homens cada para Saint-Marc, cidade que fica entre Porto Príncipe e a área ao norte onde o furacão atingirá o país”, explica o general Ajax Porto Pinheiro, force commander da Minustah. “Dois outros grupamentos ficarão de reserva na capital para serem empregados em diferentes regiões.” Há ainda no país outros 12 pelotões de infantaria. “Não podíamos abandonar os haitianos agora”, afirma o force commander. “Eles não terão a ajuda de outros países como no ano passado. O Caribe inteiro será violentamente atingido.”

Cada grupamento enviado ao norte haitiano é composto por uma seção de engenharia, uma equipe médica e um pelotão de infantaria. No total, cada um deles leva 17 viaturas e máquinas para desobstruir barreiras em estradas, além de botes infláveis.

"Esses grupamentos têm capacidade de permanecer isolados por mais de uma semana, pois têm caminhões de água, combustível, geradores e cozinha”, explica o force commander. “Amanhã (quinta-feira), pernoitarei com eles em Saint-Marc, onde celebraremos o Dia da Independência do Brasil e acompanharemos a passagem do furacão.”

A expectativa é de que o Irma atinja o norte do Haiti já nesta quinta-feira e os efeitos sejam sentidos também na capital, Porto Príncipe, mais ao sul. Segundo a Seção de Comunicação Social do Batalhão Brasileiro, são esperados inundações e deslizamentos de terra provocados por chuvas e ondas, além de problemas causados pelos fortes ventos, que devem atingir o Haiti a pelo menos 120 km/h. O órgão afirma que os militares aguardarão a passagem do furacão “em local seguro e abrigado (contêineres)”.

Na manhã de sexta-feira, os dois grupamentos seguirão juntos até Gonaives. De lá, um irá para Port-de-Paix e o outro para Cap Haitien e Fort Liberte, regiões que devem ser duramente atingidas.

O comandante da Companhia de Engenharia da Força de Paz (Braengcoy), Anderson Soares do Carmo, lembra que nos últimos meses foi feita uma série de reconhecimentos de partes do Haiti porque já se tinha a informação de que a temporada de furacões deste ano poderia ser mais intensa que a de anos anteriores.

“A gente sabe por exemplo que, bem ao norte do país, há uma região montanhosa com tendência a deslizamentos e quedas de pontes”, explica. “Então devemos levar, entre outros equipamentos, escavadeiras e tratores de esteira para desobstruir vias para que a ajuda humanitária possa chegar.”

As tropas também têm um papel importante na segurança de instalações, zonas de pouso de helicópteros e comboios, para que não sejam saqueados, e distribuição de água e alimentos. Em 2016, o Furacão Matthew deixou mais de mil mortos no Haiti e os militares brasileiros foram fundamentais para que a ajuda humanitária pudesse alcançar a população em segurança.

De acordo com o general Ajax, a expectativa de término oficial da Minustah em 15 de outubro está mantida. “Esperamos estar de volta a Porto Príncipe até 17 de setembro, pois os voos de retorno ao Brasil, que estavam previstos para 11 de setembro, foram adiados para 21 de setembro”, explica. Já o embarque de armas, blindados e outros materiais em navios foi adiado da primeira para a segunda semana de outubro.

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