Tropas brasileiras poderão deixar o Haiti

As tropas brasileiras que compõem a força de paz da ONU no Haiti podem deixar o país caso a tensão social se agrave na região. O alerta foi feito pelo subcomandante do batalhão de 1,2 mil homens que há seis meses participa da missão humanitária, major Erasmo Estevam de Barros. Segundo ele, a característica da missão brasileira não é de "imposição de paz". "Se a situação se agravar, a tendência é deixarmos a região", disse.As declarações foram dadas na chegada do primeiro contingente de soldados e oficiais que regressou do Haiti no sábado. Os 75 homens desembarcaram às 16h35 na Base Aérea de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre. A maioria dos "boinas azuis", como são conhecidos os integrantes de missões da ONU, é oriunda do 19º Batalhão de Infantaria de São Leopoldo.A viagem de volta durou quase 24 horas. Os militares foram recebidos com festa pelas famílias e pelo alto comando do Exército no Rio Grande do Sul. "Foi muito difícil suportar a distância", relatou o cabo Paulo Sandro Colares. Com o filho João Gabriel, de nove meses, no colo, ele não conseguia conter as lágrimas. Quando deixou o Brasil, o garoto acabara de nascer.A rotina dos soldados brasileiros incluía patrulhas diárias de apoio à Polícia Nacional Haitiana, em tempo integral, e telefonemas a cada 15 dias para o Brasil. Mesmo assim, as condições técnicas para as chamadas eram difíceis.SubstituiçãoO efetivo de 1,2 mil homens - a maioria gaúchos - que está no Haiti começou a ser substituído na semana passada por integrantes da 2ª Brigada de Infantaria Leve de Caçapava (SP). No próximo dia 3, um novo contingente de 233 militares retorna ao Brasil. Até o dia 17 de dezembro as tropas devem ser integralmente substituídas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.