Tropas da Coreia do Sul e dos EUA elevam nível de alerta

Aumento de alerta acontece após o anúncio da Coreia do Norte, que rompeu armistício de 1953

28 de maio de 2009 | 05h36

Soldado sul-coreano faz patrulha na ilha de Yeonpyeong. Foto: Reuters

 

 

SEUL - Tropas americanas e sul-coreanas aumentaram o nível de alerta um dia depois de a Coreia do Norte anunciar o rompimento do armistício que pôs fim à Guerra da Coreia, em 1953. Segundo porta-voz do ministério da Defesa sul-coreano, Won Tae-Jae, o nível de alerta será elevado de 3 para 2 nesta quinta-feira, 28, em uma escala decrescente de 5 a 1. A última vez em que o país aumentou seu nível de alerta foi em outubro de 2006, quando a Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear.

 

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Há três dias a Coreia do Norte realizou um teste nuclear subterrâneo, seguido por lançamentos de mísseis de curto alcance no Mar do Japão, lançar vários mísseis de curto alcance e ameaçar com um possível ataque militar contra Seul, por seu apoio a uma campanha contra o tráfico de armas de destruição em massa liderada pelos EUA. Segundo a BBC, até agora não há relatos de que o governo comunista esteja mobilizando tropas dentro do país. Ainda assim, o ministério da Defesa em Seul insiste que a vigilância sobre o norte será aumentada, com "maior mobilização de aeronaves para curtos voos de vigilância, e pessoal".

 

Na quarta-feira a Coreia do Norte justificou o rompimento do armistício como resposta ao anúncio do vizinho do sul, que, no dia anterior, havia decidido aderir a um programa liderado pelos Estados Unidos que prevê a vistoria de navios suspeitos de transportar armas de destruição em massa. "Qualquer ação hostil contra nossos navios pacíficos, inclusive com busca e confisco (de material) será considerada uma violação imperdoável da nossa soberania e nós vamos responder imediatamente com um poderoso ataque militar", disse um porta-voz do Exército norte-coreano, de acordo com a agência de notícias oficial do país KCNA. A Iniciativa de Segurança contra a Proliferação (PSI, na sigla em inglês), é um programa criado durante o governo do ex-presidente americano George W. Bush para impedir o tráfico mundial deste tipo de arma.

 

A Coreia do Norte disse que não se vê mais obrigada a cumprir o armistício que pôs fim à Guerra da Coreia em 1953, e que "a península coreana vai retornar ao estado de guerra". O Conselho de Segurança da ONU, juntamente com o Japão e a Coreia do Sul, condenou os testes norte-coreanos e está elaborando uma dura resolução para punir os testes realizados por Pyongyang. Segundo fontes diplomáticas, as prováveis sanções incluem ações como um embargo mais amplo de armas, o congelamento de fundos pessoais e empresas norte-coreanas no exterior e restrições às operações bancárias e financeiras do país.

 

 

 

O primeiro teste nuclear da Coreia do Norte ocorreu em outubro de 2006 e envolveu a explosão de um artefato com potência estimada de 6 quilotons - o equivalente a 6 mil toneladas de dinamite. O teste de segunda-feira indica avanço no poderio militar do regime chefiado por Kim Jong-il. Segundo estimativa do Ministério da Defesa russo, a bomba teve uma potência entre 10 e 20 quilotons. No maior patamar, ela seria comparável à que os americanos jogaram nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945.

 

Corrida por mísseis

 

O teste de segunda-feira - o segundo feito pela Coreia do Norte nos últimos três anos - ocorreu após o regime ter disparado, em abril, um míssil de longo alcance que sobrevoou o norte do Japão (segundo Pyongyang, tratou-se de um foguete para lançar um satélite de comunicação). O lançamento trazia uma clara mensagem: a Coreia do Norte está desenvolvendo uma arma nuclear e os meios para levá-la até um alvo determinado. Mas analistas dizem que esses gestos são defensivos, uma vez que seus vizinhos já se encontram protegidos pelo poder de dissuasão dos EUA.

"Os obstáculos para o desenvolvimento de armas nucleares são extremamente difíceis de superar e tanto Coreia do Sul quanto Japão se encontram protegidos pelo alcance atômico dos Estados Unidos. Assim, o risco de eles conseguirem desenvolver armamento nuclear é pequeno", disse Shi Yinhong, especialista em segurança internacional da Universidade Renmin, de Pequim.

 

"No fim das contas, o que a Coreia do Norte vai conseguir com o poderio nuclear?", perguntou Brad Glosserman, membro do centro de estudos estratégicos Pacific Forum, com sede no Havaí. "O país vai aumentar seu poder de dissuasão. Isso permitirá a eles dizer, 'vocês não podem vir atrás de nós'. Mas não vejo como a Coreia do Norte possa usar essa capacidade para extorquir coisa alguma. O número de armas à sua disposição é limitado, e o país deve saber que, se as usar, será o fim do jogo."

"O risco de proliferação mais tangível no momento diz respeito aos mísseis. Se a Coreia do Norte insistir nos seus testes, é provável que Japão e Coreia do Sul acelerem o desenvolvimento da sua tecnologia de mísseis", acrescentou Shi. "Numa corrida armamentista, os mísseis representariam um risco muito maior do que as armas nucleares", disse ele.

 

O mais inquieto dos vizinhos da Coreia do Norte é provavelmente o Japão, que rapidamente pressionou o Conselho de Segurança da ONU a agir contra o teste norte-coreano. Analistas dizem que essa ansiedade é justificada. Uma série de fatores, desde a colonização japonesa da Península da Coreia entre 1910-1945 até o sequestro de cidadãos japoneses por forças norte-coreanas nas décadas de 1970 e 1980, produziu uma relação turbulenta entre os dois países.

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