Tropas da ONU sofrem novas acusações de abuso sexual na República Centro-Africana

Por Tom Esslemont

REUTERS

11 de novembro de 2015 | 20h42

BANGUI (Thomson Reuters Foundation) - A força de manutenção de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Centro-Africana foi alvo nesta quarta-feira de novas acusações de abuso sexual, reveladas por uma investigação da Thomson Reuters Foundation, em meio a preocupações crescentes com o fracasso do combate a esses abusos.

Três meninas adolescentes que tiveram de sair de suas casas por causa dos confrontos no país afirmaram à fundação que mantiveram relações sexuais com soldados congoleses das tropas da ONU durante semanas, resultando em pelos menos duas gravidezes.

As meninas, com idades entre 14 e 17 anos, moram em abrigos temporários em campos que ficam próximos à base de 500 militares da força de paz da ONU, a maioria da República Democrática do Congo, Bangladesh e Camarões.

A idade mínima para sexo consensual na República Centro-Africana é 18 anos. Relações sexuais entre soldados da tropa de paz e civis são proibidas de acordo com protocolo da organização internacional.

As acusações são as mais recentes de uma série de denúncias contra a força de 11.000 soldados conhecida como Minusca, que opera no país desde abril de 2014.

A força de paz, cujo mandato faz referência à "proteção de mulheres e crianças", foi envolvida em uma série de escândalos de abuso sexual no início do ano, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, prometeu reprimir a prática.

Uma das meninas que falou à Thomson Reuters Foundation disse ter 14 anos. Ela já teve um filho desde que a sua relação com o soldado congolês começou.

Outra menina, de 17 anos, com sete meses de gravidez, afirmou que o soldado aparecia com regularidade.

"Ele me dava dinheiro, mas ele não tem vindo me ver recentemente", disse ela em entrevista no abrigo em que agora mora.

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