Tropas da Otan matam 4 civis e dão início a protestos no Afeganistão

Tropas da Otan matam 4 civis e dão início a protestos no Afeganistão

Aliança não identificou nacionalidade dos militares envolvidos; afegão dizem que foram dos EUA

Agência Estado

12 de abril de 2010 | 13h29

KANDAHAR - Tropas internacionais abriram fogo nesta segunda-feira, 12, contra um ônibus que levava civis afegãos, matando quatro pessoas. O ataque deu início a protestos contra os EUA em uma importante cidade do sul do país, onde as forças de coalizão esperam conquistar o apoio da população para uma ofensiva contra o Taleban.

Autoridades afegãs e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se recusaram a identificar a nacionalidade das forças internacionais envolvidas, mas vários afegãos afirmam que eram americanos.

Em outro ponto da cidade de Kandahar, três suicidas atacaram um complexo dos serviços de inteligência afegãos, porém foram repelidos pelas forças de segurança, que abriram fogo contra os homens, disse Zelmai Ayubi, porta-voz do governo da província onde está a cidade, também chamada Kandahar. Quatro agentes de inteligência e seis civis, dentre eles um professor de uma escola próxima, ficaram feridos, disse.

Bomba

 

Cinco integrantes de uma única família foram mortos e dois ficaram feridos após a explosão de uma bomba colocada à margem de uma estrada no distrito de Bala Buluk, província de Farah, noroeste do país, na tarde de hoje (hora local), segundo o porta-voz provincial Ahmad Farid Ayubi. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pela explosão, embora esse tipo de bomba seja uma marca da insurgência taleban.

Kandahar, a maior cidade do sul afegão, foi o local de nascimento do regime taleban, deposto em 2001, mas os insurgentes continuam ativos, apesar a forte presença de forças estrangeiras. Segurança é uma questão-chave para os militares dos EUA e da Otan, cujo objetivo é encerrar os mais de oito anos de guerra. No entanto, o ódio resultante das mortes de civis ameaça prejudicar o apoio local ao governo central de Cabul.

Mais de 80 mil soldados americanos estão no Afeganistão, muitos dos quais foram enviados para as voláteis províncias do sul, dentre elas Kandahar.

Ataque

Os tiros contra o ônibus durante a madrugada no distrito de Zhari, em Kandahar, mataram quatro pessoas, dentre elas uma mulher, e feriram outras 18 pessoas, disse Ayubi. Segundo ele, as forças internacionais levaram 12 dos feridos a um hospital militar.

Rozi Mohammad, passageiro entrevistado no hospital em Kandahar, afirmou que o veículo acabara de deixar o terminal de Kandahar quando o ônibus deu passagem para um comboio americano. Os tiros começaram quando o terceiro ou quarto veículo passou, disse, lembrando que os tiros partiram do comboio.

"Subitamente, eles abriram fogo, não sei por quê. Fomos parados e depois disso não sei o que aconteceu", disse Mohammad. Os médicos afirmaram que ele sofreu um ferimento na cabeça, mas ainda não sabem a seriedade. A Otan disse que o ônibus se aproximou em alta velocidade e por trás de uma patrulha que ia em baixa velocidade e ignorou os avisos para que desacelerasse.

Protesto

Horas depois do incidente, grandes grupos de afegãos bloquearam a principal estrada que leva à cidade de Kandahar com pneus em chamas. Eles gritavam "morte à América" e pediam a saída do presidente afegão Hamid Karzai, que nasceu em Kandahar.

"Os americanos estão constantemente matando nossos civis e o governo não exige explicações", disse o morador Mohammad Razaq. "Nós exigimos justiça do governo de Karzai e punição para os soldados responsáveis."

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