Tropas da Síria invadem casas em Hama, dizem moradores

Soldados buscavam ativistas que protestam contra o presidente Bashar Assad

Reuters

31 de agosto de 2011 | 08h43

AMÃ - Tropas sírias apoiadas por tanques invadiram casas em Hama na quarta-feira, 31, em busca de ativistas envolvidos nos cinco meses de protesto contra o presidente Bashar al Assad, segundo moradores.

 

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As incursões ocorreram um dia depois de forças de segurança matarem pelo menos quatro pessoas entre as multidões de manifestantes que saíam das mesquitas após marcarem o fim do ramadã, o mês sagrado muçulmano, durante o qual Assad intensificou a repressão militar aos protestos.

Os manifestantes têm sido encorajados pela queda de Muamar Kadafi na Líbia e pela crescente pressão internacional sobre a Síria, incluindo um embargo que a União Europeia planeja impor ao setor petrolífero sírio. Mesmo dentro do mundo árabe, é crescente o isolamento de Assad.

 

Na terça-feira, o governo dos EUA, que já havia imposto sanções ao setor petrolífero e a um banco estatal da Síria, congelou os bens nos EUA do chanceler Walid al Moualem e de dois outros funcionários do governo de Damasco.

 

 

Hama tem registrado alguns dos maiores protestos contra os 41 anos do regime da família Assad, e foi a primeira cidade atacada durante a onda de repressão do ramadã. As autoridades dizem que o Exército se retirou em meados de agosto, mas os moradores relataram uma presença militar significativa na quarta-feira.

"Vários tanques leves e dezenas de (...) ônibus estão estacionados na ponte Al Hadid, na entrada leste de Hama. Centenas de soldados então seguiram a pé para os bairros de Al Qusour e Hamidiya. Tiros estão sendo ouvidos", contou à Reuters por telefone o ativista local que se identificou como Abdelrahman. "Esses bairros estão entre os mais ativos na realização de protestos", acrescentou.

Outro morador disse que caminhonetes equipadas com metralhadoras e ônibus cheios de soldados também se concentraram durante a noite perto do bairro de Al Dahiriya, na entrada norte de Hama, que fica 205 quilômetros ao norte de Damasco.

"O povo quer a execução do presidente", gritavam dezenas de manifestantes em Hamidiya no começo da noite, pouco antes do ataque militar, como mostra um vídeo colocado no YouTube. A maior parte da imprensa estrangeira foi expulsa da síria desde o início da revolta, em março, e por isso é difícil verificar os relatos de lá.

Hama, que fica numa planície agrícola à beira do rio Orontes, foi cenário em 1982 de um massacre cometido por militares enviados pelo pai do atual presidente, Hafez al Assad, para esmagar um levante islâmico armado.

Assad tem dito repetidamente que a força é necessária para derrotar o que ele diz ser um complô estrangeiro para dividir a Síria. Autoridades culpam grupos armados pela violência, e dizem que mais de 500 soldados e policiais foram mortos. Segundo a ONU, mais de 2 mil civis foram mortos nos últimos meses. Na província de Idlib (noroeste), soldados mataram um morador durante a noite em um posto de controle perto da cidade de Kfaruma, segundo ativistas.

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