Tropas da Tailândia e Camboja se enfrentam perto de templo

Tropas da Tailândia e do Camboja se enfrentaram com foguetes de curto alcance nesta terça-feira perto do templo de Preah Vihear, cerca de 150 km distante de onde lutaram nos últimos quatro dias, aumentando a preocupação de que o conflito se espalhe para outras áreas fronteiriças escassamente demarcadas.

MARTIN PETTY, REUTERS

26 de abril de 2011 | 10h59

O porta-voz do Exército tailandês, Sansern Kaewkamnerd, disse que os dois lados combateram com foguetes de curto alcance e armas de fogo durante cerca de 30 minutos perto do templo hindu do século 11, localizado em uma área disputada pelos dois vizinhos do sudeste asiático.

"Estamos mantendo (o conflito) restrito a uma pequena área", disse o porta-voz, descrevendo o confronto como um "mal-entendido".

O porta-voz do governo cambojano, Phay Siphan, declarou que os caças tailandeses dispararam em território cambojano perto do templo. "Um caça sobrevoou e começou a bombardear", disse ele.

Os vizinhos têm trocado disparos esporádicos em outra área da fronteira perto dos templos de Ta Moan e Ta Krabey, do século 12, onde pelo menos 13 pessoas foram mortas desde sexta-feira e mais de 50 mil foram evacuadas.

Preah Vihear, cenário de intensos combates entre 4 e 7 de fevereiro que mataram 11 soldados e feriram dezenas, é foco de tensão há gerações, e os dois países travam um impasse desde julho de 2008, quando o templo recebeu da Unesco o status de Patrimônio da Humanidade.

A Tailândia se opôs à nomeação com a justificativa de que a área ao redor do templo nunca foi demarcada.

Uma corte internacional concedeu Preah Vihear ao Camboja 49 anos atrás, mas os dois países reclamam um trecho de terra de 4,6 quilômetros quadrados em seu entorno.

A Tailândia fez pressão por uma solução bilateral para o conflito, mas nesta terça-feira. O Camboja descartou conversas até a cúpula de líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês) entre os dias 7 e 8 de maio em Jacarta, insistindo na mediação de uma terceira parte.

"Iremos esperar até lá e então vamos nos reunir e conversar", disse o ministro da Informação cambojano, Khieu Kanharith, a repórteres. "O encontro pode ser bilateral, e se as conversas forem sobre conflitos na fronteira, uma terceira parte deve se envolver."

Embora na aparência o conflito pareça ser uma disputa de soberania e território, muitos especialistas acreditam que os combates sejam alimentados por interesses políticos mútuos.

Os dois governos têm se envolvido em disputas diplomáticas nos últimos dois anos e podem estar tentando desacreditar um ao outro e apelar a nacionalistas, especialmente quando a Tailândia se prepara para uma eleição geral prevista para julho.

Uma mudança de governo pode ser do interesse do Camboja.

(Reportagem adicional de Ambika Ahuja em Bancoque e Prak Chan Thul em Phnom Penh)

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