Tropas da Tailândia e do Camboja entram em novo conflito

Tropas da Tailândia e do Camboja entraram em conflito pesado nesta segunda depois de quase um dia completo de cessar-fogo depois da batalha que matou pelo menos 12 pessoas em quatro dias e mandou quase 50 mil para abrigos.

MARTIN PETTY, REUTERS

25 de abril de 2011 | 14h01

Tiros e explosões foram ouvidos entre os dois templos hindus, construídos no século 12, que são disputados pelos dois países. A região está sendo palco de ataques de morteiros e bombardeios de artilharia desde a sexta-feira no mais sangrento conflito entre os dois países em quase duas décadas.

A nova batalha começou antes do pôr-do-sol na segunda e testemunham afirmaram que os confrontos foram mais violentos do que os anteriores. O som de explosões podiam ser ouvidos até 40 km de distância.

O ministro das Relações Exteriores da Tailândia Kasit Piromya reiterou os apelos para uma solução bilateral depois do cancelamento de uma visita aos dois países que seria feita por um alto representante do sudeste asiático, o mesmo que mediou um cessar-fogo com apoio da ONU em 22 de fevereiro.

Mas, logo após o recomeço dos conflitos, Kasit acusou o Camboja de ser o "agressor" no conflito e disse que o país vizinho está dificultando o diálogo. "Está claro que o Camboja está invadindo a área (em disputa) e agora isto vai além do diálogo entre vizinhos amigáveis", disse para repórteres em Bangcoc.

Ele tinha, anteriormente, rejeitado as alegações cambojanas de que a Tailândia rejeitou um acordo que permitia a visita de observadores militares desarmados da Indonésia. O acordo foi feito depois de conflitos deixaram 11 mortos próximo a Preah Vihear, templo 150 km para o leste.

O ponto fundamental nas disputas são os templos hindus Ta Moan e Ta Krabey que estão em área reivindicada pelos dois países. A Tailândia afirma que as ruínas ancestrais estão na sua província de Surin, enquanto o Camboja defende que está em seu território.

A batalha tem sido mais violenta ao redor de Ta Moan, um complexo com três templos em um desfiladeiro. Tropas dos dois países também estão ao redor de Ta Krabey, onde conflitos começaram na sexta. O Camboja é acusado de construir bases militares na região.

Os números oficiais apontam, desde a sexta, cinco soldados tailandeses mortos e 31 feridos; sete cambojanos mortos e 17 feridos. Não houve vítimas fatais no conflito nesta segunda.

A batalha da segunda continuou até o final da tarde e começou quatro horas depois que caças tailandeses F-16 circularam a área próxima aos dois templos, no que o comandante da aeronáutica do país Itthaporn Subhawong chamou de exercício de treinamento. "Não houve a intenção de provocar" ,disse para a Reuters.

O ministro da Defesa do Camboja já tinha afirmado que o bombardeio tailandês tinha "danificado os templos" e atingido vilarejos civis 20 km dentro do território do Camboja, mas não deu outros detalhes. Mais de 17 mil pessoas foram retiradas da região em que uma casa e uma escola foram destruídas, acrescentou.

A disputa sobre a jurisdição do território acontece desde os anos 1950, quando a França deixou a colônia do Camboja.

O Camboja afirma que monitoramento do cessar-fogo é a única maneira de evitar novos conflitos. "Sem um observador independente, nós vamos ficar culpando o outro dizendo que foi ele que atirou primeiro", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Camboja Koy Kuong.

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