Tropas de Israel começam hoje a deixar Belém

Comandantes de segurança israelenses e palestinos reuniram-se hoje em Belém para coordenar planos sobre a retirada de Israel desta cidade da Cisjordânia e da vila próxima de Beit Jalla. A remoção das tropas israelenses destas duas localidades deverá ser iniciada ainda hoje. Israel cedeu ante pressões internacionais e concordou, a princípio, com uma retirada parcial. O Estado judeu deverá decidir amanhã se retirará suas tropas de outras cidades ocupadas. As principais condições impostas pelos israelense são a de que os palestinos respeitem um cessar-fogo e prendam militantes. O líder palestino, Yasser Arafat, que ontem afirmou continuar comprometido com o cessar-fogo declarado em 26 de setembro e esperar que as conversações de paz sejam retomadas, disse hoje que esperará para ver se os israelenses cumpram com sua parte do acordo. "Não seria a primeira vez que (os israelenses) se negam a cumprir um acordo, já fizeram isso antes", afirmou Arafat. As incursões, ordenadas depois do assassinato do ministro de Turismo, o linha-dura Rehavam Zeevi, deixaram 37 palestinos mortos e irritaram os Estados Unidos, principal aliado de Israel. Com a alegação de que estariam à caça dos assassinos de Zeevi, as tropas poderão deixar a Cisjordânia sem cumprir seu objetivo. Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, afirmou ontem que o presidente George W. Bush "está muito satisfeito com o primeiro passo, que é a retirada parcial", e conclamou Israel a completar a operação. Bush também pediu a Arafat que "se esforce 100% para reduzir a violência" e a ambos os lados para retomarem o processo de paz. Autoridades israelenses haviam prometido que não se retirariam das cidades da Cisjordânia até que Arafat prendesse e entregasse os militantes responsáveis pelo assassinato do ministro Zeevi, ocorrido no último dia 18. Com homens suspeitos ainda em liberdade, Israel aparentemente desistiu de sua demanda original pelo menos ao concordar em se retirar de Belém e Beit Jalla antes que todos os supostos assassinos estejam sob custódia. Em comunicado, o Ministério da Defesa afirmou ontem que a questão das prisões será discutida no domingo durante a reunião que determinará os próximos passos na retirada israelense de outras cidades da Cisjordânia. Diplomatas estrangeiros que se reuniram com Arafat afirmaram que o líder palestino havia tomado sérias medidas para implementar o cessar-fogo de 26 de setembro, mas que elas haviam sido atropeladas pelo assassinado de Zeevi. A Frente Popular para a Libertação da Palestina assumiu a responsabilidade pelo assassinato, alegando que foi uma vingança pelo assassinato por Israel, em 27 de agosto, de um de seus líderes.

Agencia Estado,

27 Outubro 2001 | 12h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.