Tropas de Israel devem sair também da Faixa de Gaza

Israel iniciou nesta segunda-feira a retirada de suas tropas da chamada Área A, as áreas sob controle da Autoridade Palestina (AP) nos territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia que haviam sido reocupadas nas últimas duas semanas por seu Exército, durante sua maior ofensiva militar nos últimos 20 anos.No fim da noite, soldados e tanques começaram a deixar Belém e Beit Jala, na Cisjordânia, e aldeias nos arredores e regiões agrícolas no norte da Faixa de Gaza. Pela manhã, os militares haviam reaberto a passagem entre Rafat, no sul da Faixa de Gaza, e o Egito, e a zona industrial de Erez, bem como a Ponte Allenby, que liga a Cisjordânia à Jordânia.Segundo estimativas da AP, os israelenses estavam posicionados em 20% do território sob seu controle, cercando 11 regiões. A decisão coincidiu com a chegada nesta segunda-feira do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, a Jerusalém, como parte de um giro por nove países do Oriente Médio destinado a buscar apoio para uma eventual ofensiva norte-americana contra o Iraque.A missão de Cheney foi ofuscada pela questão palestina e o pedido dos países árabes de maior intervenção americana na busca de um cessar-fogo. Cheney se reuniu com o primeiro-ministro Ariel Sharon e o enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio, Anthony Zinni.A pressão dos EUA sobre Sharon levou-o a abandonar sua negativa de negociar enquanto não houvesse sete dias de "calma". "Nós continuamos a exortar o presidente (Yasser) Arafat a cumoprir seu compromisso de renunciar ao uso da violência como arma política e observar 100% de esforço para eliminar os terroristas", disse Cheney."Nesse mesmo espírito, vou conversar com o primeiro-ministro Sharon sobre os passos que Israel pode tomar para aliviar as devastadora dificuldade econômica enfrentada por homens, mulheres e crianças palestinas inocentes."Ele observou que na "visão" de seu país deve haver um Estado palestino em pacífica coexistência com Israel, com base nas resoluções 242 e 338 da ONU (sobre a retirada israelense dos territórios palestinos e a fórmula terra "em troca de paz").Na noite deste domingo, um encontro de chefes de segurança israelenses e palestinos, mediado por Zinni e pela Agência Central de Inteligência (CIA), definiu os termos da remoção das forças de Israel, como parte das negociações para um cessar-fogo.Depois de uma reunião entre Zinni e o presidente da AP, Yasser Arafat, a Comissão Tripartite de Segurança acertou nesta segunda-feira que a AP assumiria a responsabilidade pela segurança nas áreas das quais o Exército se retirou.O objetivo da missão de Zinni é estabelecer um cessar-fogo com base num plano elaborado em junho pelo diretor da CIA, George Tenet, em comum acordo com os dois lados, e depois começar a pôr em prática as recomendações da comissão Mitchell para a retomada das negociações de paz."Se as coisas saírem bem, creio que haverá uma boa expectativa de que um cessar-fogo possa ser declarado", comentou o ministro israelense da Defesa, Biniyamin Ben-Eliezer.A TV israelense informou que a AP se comprometeu a evitar que grupos radicais palestinos atirem de Beit Jala contra o vizinho assentamento judaico de Guilo, em Jerusalém Oriental - a parte árabe da cidade ocupada por Israel em 1967.Um alto funcionário palestino disse que a remoção de tropas da Faixa de Gaza começará nesta terça-feira e o ministro de Informação da AP, Yasser Abed Rabbo, disse ter recebido do governo israelense uma proposta de um plano de segurança. "Vamos avaliá-lo", afirmou.Os palestinos insistem em que a violência só poderá ser contida após a retirada total das tropas. Após os acordos de paz de Oslo, a AP passou a administrar e encarregar-se da segurança de cerca de 70% da Faixa de Gaza e 20% da Cisjordânia.

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