Tropas do Afeganistão assumirão o controle do país em 2014, diz Karzai

Presidente também pede aos aliados mais autonomia administrativa para o governo

Associated Press

20 de julho de 2010 | 09h59

 

CABUL - As forças de segurança do Afeganistão devem assumir o controle das operações no país em 2014, disse nesta terça-feira, 20, o presidente afegão, Hamid Karzai, reafirmando seu compromisso de passar tal responsabilidade das tropas internacionais para as nacionais. Karzai ainda pediu que o países e órgãos que o apoiam distribuam mais fundos de ajuda ao governo.

 

A declaração de Karzai foi feita durante uma conferência internacional pelo futuro do Afeganistão, da qual participaram o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen.

 

Segundo Karzai, o Afeganistão e seus aliados ocidentais "têm o mesmo inimigo" e, mesmo assim, a vitória será alcançada ao dar aos afegãos a responsabilidade em combater a insurgência dentro das fronteiras do país. "Continuo determinado sobre dar às nossas forças de segurança a responsabilidade por todas as operações de segurança do país em 2014", disse o presidente.

 

De acordo com um rascunho do comunicado oficial que será divulgado ao fim da conferência, o prazo será respaldado pelos membros das delegações que foram ao Afeganistão para o encontro. A data, porém, não significará a retirada total das tropas internacionais do país, e muitos militares estrangeiros permanecerão mesmo com as forças afegãs no controle da situação. Na capital Cabul, por exemplo, as forças nacionais estão no comando, mas ainda há militares de fora na cidade.

 

Rasmussen disse que a Otan não permitirá que o Taleban se imponha sobre o governo. Ele, porém, disse que a transição do controle para os afegãos deve ser baseada "nas circunstâncias, e não no calendário". "Nossa missão só terminará quando os afegãos estiverem aptos a manter o país seguro pelas próprias mãos", afirmou.

 

Karzai também expressou o desejo do seu governo em assumir maior parcela de participação nas decisões dentro e fora do país. Ele pediu que os parceiros internacionais do Afeganistão não apenas repassem 50% da assistência para questões estrangeiras ao governo, mas também alinhem cerca de 80% de seus projetos de acordo com as prioridades identificadas pelo povo e pelo governo afegãos.

 

"É hora de nos concentrarmos em um número limitado de programas e projetos nacionais transformar as vidas de nossas pessoas, reforçar o laço social entre o povo e o Estado. Vamos nos focar menos em projetos de curto prazo", disse o presidente.

 

Desde o início da invasão americana, em 2001, 77% dos US$ 29 bilhões destinados ao Afeganistão foram usados para programas com pouco ou nenhuma participação do governo, de acordo com o Ministério das Finanças. Esses números não incluem os programas de treinamento das forças de segurança. Alguns países relutam em deixar os fundos para controle do governo afegão devidos aos temores de corrupção.

 

Hillary reconheceu que o governo de Karzai tomou medidas contra a corrupção, mas disse que mais ações precisam ser feitas. "Não há atalhos para lutar contra a corrupção e melhorar o governo. Nessa frente, tanto o povo afegão quanto a comunidade internacional esperam resultados", disse a americana.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que quer iniciar a retirada das tropas americanas do Afeganistão em julho de 2011. Embora ele tenha dito que o processo dependerá da situação da segurança no país, as declarações geraram preocupações sobre o futuro da guerra afegã.

 

Hillary disse que a transição do controle para as forças afegãs "é muito importante para ser realizada sem uma data indefinida" e disse que o prazo estabelecido por Obama é "o início de uma nova fase, e não o fim do envolvimento dos EUA". "Não temos a intenção de abandonar nossa missão de longo prazo de transformar o Afeganistão em um país estável, seguro e pacífico. Muitos países sofreram muitas perdas ao ver o Afeganistão retroceder", disse a secretária.

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