Tropas do Iêmen disparam contra manifestantes e 9 morrem

Forças de segurança do Iêmen abriram fogo contra manifestantes em três cidades nesta quarta-feira, matando ao menos nove pessoas e deixando dezenas de outras feridas, em uma escalada da violência que pode aumentar a raiva popular com a recusa do presidente Ali Abdullah Saleh de deixar o poder.

MOHAMMED GHOBARI E MOHAMED SUDAM, REUTERS

11 de maio de 2011 | 17h54

Na capital Sanaa, as forças oficiais atiraram em uma multidão formada por dezenas de milhares de pessoas que marchavam para o prédio do governo. Ao menos seis pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas, segundo um médico que estava atendendo os manifestantes feridos no local.

Ele disse que o número de mortos pode subir.

Ao sul da capital, franco-atiradores mataram dois manifestantes em Taiz, onde protestos tentavam aumentar a pressão pela renúncia de Saleh interditando prédios do governo e efetivamente interrompendo a rotina do principal centro industrial do Iêmen.

Na cidade portuária de Hudaida, no Mar Vermelho, um manifestante morreu quando forças de segurança abriram fogo contra uma marcha que seguia para um prédio do governo, de acordo com testemunhas.

O derramamento de sangue vai aumentar a raiva da população até sexta-feira, dia tradicional de manifestações durante os três meses da revolta contra o governo de Saleh inspirada nos movimentos populares no mundo árabe.

O povo está impaciente com um impasse nas negociações para encerrar os 33 anos de regime de Saleh, e a violência está aumentando cada vez mais num país onde metade da população tem armas.

"Isso é um massacre, eles estão abrindo fogo aleatoriamente", disse Mohammed al-Qibly, líder de um movimento juvenil em Sanaa, à emissora de TV Al Jazeera. "As cenas são aterrorizantes no sentido amplo da palavra."

Testemunhas na capital disseram que cerca de 40 pessoas levaram tiros e que os manifestantes pararam a marcha para cuidar dos feridos, que foram levados às pressas em veículos particulares para hospitais.

"As forças abriram fogo pesado quando os manifestantes chegaram a cerca de 200 metros do governo, mas os manifestantes não recuaram de início", disse o jornalista iemenita Abdulsattar Mohammed. "Várias pessoas feridas caíram e foram carregadas para hospitais em motos quando a polícia impediu as ambulâncias de entrarem."

Os episódios de violência acontecem num momento que o Iêmen enfrenta uma crise no fornecimento de combustível tão grave que o país, um modesto produtor de petróleo, considera comprar a commodity da Arábia Saudita para compensar o bloqueio de sua principal província petrolífera por integrantes de tribos alinhadas aos manifestantes.

Após três meses de manifestações diárias no país localizado na Península Arábica, muitos têm pedido para que a esporádica greve geral se transforme em um evento diário.

A vizinha e gigante do petróleo Arábia Saudita e os Estados Unidos temem que o aumento da violência possa conduzir o Iêmen, país empobrecido que já vive um conflito tribal e separatista, ao caos, o que poderia permitir maior liberdade de operação ao braço da Al Qaeda no Iêmen.

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