Tropas do Iêmen reprimem protestos contra o governo

Policiais iemenitas espancaram com cacetetes manifestantes que celebravam neste sábado a renúncia do mandatário egípcio, Hosni Mubarak, e exigiam a saída do próprio presidente no centro da capital do país, Sanaa. "Depois de Mubarak, é a vez de Ali", gritavam alguns dos cerca de 4 mil manifestantes, a maioria jovens estudantes.

AE, Agência Estado

12 de fevereiro de 2011 | 18h46

A saída de Mubarak após uma revolta popular de 18 dias levantou dúvidas sobre a estabilidade a longo prazo do Iêmen e outros governos aliados do Ocidente na região. O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, está no poder há três décadas e tentou conter a agitação popular com a promessa de não deixar o cargo ao fim do atual mandato.

Testemunhas disseram que vários milhares de manifestantes foram retirados das ruas de Sanaa por tropas e agentes de segurança à paisana na noite de sexta-feira. As manifestações colocam os Estados Unidos numa posição delicada porque o país defende reformas democráticas, mas quer a estabilidade no Iêmen porque vê a nação com um importante aliado em sua luta contra militantes islamitas.

Centenas de manifestantes tentaram chegar à embaixada egípcia na capital do Iêmen neste sábado, mas foram impedidos pela polícia. Ônibus levaram integrantes do partido governista - equipados com barracas, água e comida - para a principal praça da cidade com o objetivo de impedir que os manifestantes se reunissem no local.

Cerca de 5 mil agentes de segurança e partidários do governo foram enviados para a praça Tahrir localizada em Sanaa, o mesmo nome do centro dos protestos contra o governo no Cairo.

O Iêmen é o país mais pobre do mundo árabe e tornou-se um local com forte presença de militantes da Al-Qaeda. O governo de Saleh é marcado pela corrupção e exerce pouco controle fora da capital. A principal fonte de riqueza do país, o petróleo, pode acabar em uma década.

O Iêmen tem sido o local escolhido para vários ataques contra os Estados Unidos desde 2000, quando um ataque contra o navio USS Cole, em Áden, matou 17 marinheiros norte-americanos. O clérigo radical norte-americano Anwar al-Awlaki, que acredita-se esteja escondido no Iêmen, é o suspeito de ter inspirado alguns dos ataques, além do ocorrido em 2009 em Fort Hood, Texas. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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