Tropas do Iraque estão preparadas, diz general dos EUA

Horas antes do prazo para as tropas norte-americanas se retirarem das cidades do Iraque, o principal comandante militar dos Estados Unidos no Oriente Médio demonstrou confiança. O general David Petraeus afirmou que as forças de segurança locais estão preparadas para conter a violência no país apesar da série de ataques nos últimos dias. "Ainda que certamente haverá desafios - há muitos temas difíceis politicamente, temas sociais, temas de desenvolvimento governamental -, nos sentimos confiantes nas forças de segurança iraquianas continuando o processo de assumir as tarefas de segurança em seu próprio país", afirmou o general.

AE-AP, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 13h54

As explosões, que mataram mais de 250 pessoas em pouco mais de uma semana, levantaram temores de que a violência possa se espalhar pelas áreas urbanas após a saída das tropas dos EUA. Porém, o governo iraquiano afirma que suas forças estão prontas e declarou a terça-feira o "Dia da Soberania Nacional", um feriado público marcado por festividades. As celebrações começaram hoje em Bagdá com canções patrióticas soando em delegacias e postos de controle. Os veículos militares iraquianos estavam decorados com flores e bandeiras do país.

O prazo para a retirada das tropas de combate dos EUA das cidades do Iraque vai até amanhã, de acordo com um pacto bilateral. O texto prevê uma retirada total das forças norte-americanas do país até 2011. Alguns soldados permanecerão nas cidades para treinar e aconselhar as tropas locais, mas a maioria dos 130 mil homens dos EUA no país ficará fora dos centros urbanos. Petraeus demonstrou preocupação com o recente aumento dos atentados. Apesar disso, ele lembrou que a média atual de ataques fica entre 10 e 15 diários, abaixo dos 160 a cada 24 horas de junho de 2007.

O principal comandante dos EUA em Bagdá, general Daniel Bolger, também manifestou otimismo. "Se Deus quiser eles vão assumir esse desafio com coragem", disse ele, sobre a transferência de controle na cidade de 5 milhões de habitantes. Funcionários dos EUA e do Iraque já adiantaram que esperam um aumento na violência nos dias imediatamente posteriores à troca de comando. Petraeus afirmou que haverá centros de coordenação em Bagdá, Mossul e Basra, onde forças dos EUA dividirão informações de inteligência e atenderão a pedidos de ajuda dos iraquianos.

O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Hoshyar Zebari, demonstrou pouca preocupação, qualificando o 30 de junho como "um dia importante na história iraquiana (...), que abrirá caminho para a completa retirada dos EUA e das forças estrangeiras do Iraque". Em Bagdá, a segurança foi reforçada com a proibição de motocicletas - usadas três vezes em recentes atentados - e com o reforço dos postos de controle e da checagem de documentos. O ministro de Interior, Jawad al-Bolani, negou a intenção de declarar um toque de recolher.

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