Tropas do Nepal matam seis manifestantes

Soldados no sudoeste do Nepal abriram fogo nesta quarta-feira contra milhares de moradores de uma vila que protestavam contra a morte de um mulher local numa base do Exército. A ação dos soldados deixou seis mortos, informaram ativistas dos direitos humanos, acrescentando que os manifestantes foram encorajados pelas semanas de turbulência política no país. Um oficial militar, entretanto, alegou que os moradores tentaram tomar a base, na vila de Belbari, cerca de 500 km a sudeste de Katmandu Militares disseram que a mulher foi morta por soldados na noite de terça-feira ao tentar entrar furtivamente na base. Mas moradores afirmam que a mulher foi estuprada e morta por soldados, disse Kunjan Aryal, do grupo de direitos humanos INSEC-Nepal. Aryal negou que os manifestantes tivessem tentado invadir a base. "Eles estavam simplesmente protestando", explicou. A recente crise política no Nepal, que levou centenas de milhares de pessoas às ruas para pressionar o rei Gyanendra a abrir mão de poderes absolutos, inspirou os manifestantes a buscar justiça, segundo Aryal. Fim dos bloqueios Também nesta quarta-feira, rebeldes comunistas suspenderam um bloqueio de estradas no Nepal e deram aos partidos políticos dois dias para começarem o processo de reescrever a constituição. "Suspendemos os bloqueios até a primeira reunião do Parlamento, levando em consideração garantias positivas", afirmou num comunicado o líder rebelde Prachanda. Os rebeldes maoístas bloquearam as estradas por semanas como forma de apoiar protestos antimonarquia que resultaram em sanguentos choques com forças de segurança e deixaram pelo menos 15 mortos. Os partidos políticos suspenderam as manifestações na terça-feira depois que o rei concordou em devolver o poder a autoridades eleitas e reinstalar o Parlamento até sexta-feira. O monarca também aceitou a convocação de uma assembléia constituinte que reescreverá a Carta Magna do país do Himalaia.

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 15h48

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