Tropas do Sudão do Sul estão prontas para atacar reduto de rebeldes

Presidente Salva Kiir avisou Parlamento sobre ataque iminente e garantiu que ação só foi adiada para que EUA retirassem autoridades e civis no fim de semana

O Estado de S. Paulo,

23 de dezembro de 2013 | 09h48

JUBA - O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, disse nessa segunda-feira, 23, que as tropas do país estão prontas para atacar a cidade de Bor, controlada por rebeldes. "O exército está em direção a Bor neste momento", afirmou Kiir ao parlamento. O presidente disse que o contra-ataque só foi adiado porque os EUA faziam, no fim de semana, uma ação de resgate de cidadãos estrangeiros e locais.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de três mil cidadãos de países como Canadá, Grã-Bretanha e Quênia permanecem presos na região. Toby Lanzer, coordenador humanitário da ONU, disse que australianos, ugandenses e etíopes também estão entre as 15 mil pessoas que procuram proteção na base da ONU em Bor.

Em uma semana de confrontos, o número de mortos por violência no Sudão do Sul provavelmente já superou a marca de mil pessoas, embora não existam números oficiais. De acordo com a ONU, os refugiados já somam mais de cem mil. Lanzer explica que está buscando assistência financeira com urgência por parte da comunidade internacional. "Eu não posso esperar por qualquer atraso em recursos agora", disse o coordenador. "Nunca houve tanta necessidade por parte do Sudão do Sul", completou.

A cidade de Bor foi onde os rebeldes dispararam contra três aviões militares americanos no último sábado, deixando quatro tripulantes feridos e forçando os helicópteros a abortarem sua missão. Cerca de 46 soldados dos Estados Unidos se somaram aos 45 que já estavam no Sudão do Sul para ajudar na retirada de autoridades e civis. O presidente Barack Obama enviou uma carta neste fim de semana aos líderes do Congresso para liberar qualquer outra ação militar no país africano.

A violência no país começou na noite de 15 de dezembro. Salva Kiir disse na semana passada que uma tentativa de golpe militar foi a causa dos conflitos, culpando o ex-vice-presidente do país, Riek Machar, pelo episódio. Os líderes da África Oriental estão liderando esforços diplomáticos para evitar uma nova guerra civil no país. / AP

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