Baderkhan Ahmad/AP
Baderkhan Ahmad/AP

Tropas dos EUA deixam Iraque e voltam à Síria em decisão que Rússia chamou de 'banditismo' 

Segundo o Pentágono, o comboio, composto de dezenas de veículos com equipamentos militares e logísticos, foi enviado de volta para proteger campos de petróleo de ações do Estado Islâmico

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2019 | 19h05

BEIRUTE - Tropas dos Estados Unidos que se retiraram do norte da Síria antes da ofensiva da Turquia contra milícias curdas que controlavam a área voltaram ao leste do país após decisão anunciada ontem pelo Pentágono.  A Rússia criticou duramente a decisão dos EUA e chamou o movimento de "banditismo".

A opção por manter uma "presença reduzida" na região foi uma forma que o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, viu de evitar que campos de petróleo da região voltassem a ser controlados por integrantes do grupo terrorista Estado Islâmico.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que um comboio militar americano entrou na madrugada deste sábado no território da Síria pela passagem de Semalka, a única oficial e controlada pelas milícias curdas, não reconhecidas pelo governo de Bashar Assad. O caminho leva até a Província de Deir ez Zor, no leste do país e perto da fronteira com o Iraque.

O comboio, composto de dezenas de veículos com equipamentos militares e logísticos, terá como objetivo, segundo o Pentágono, "impedir o acesso do Estado Islâmico às receitas do petróleo, como reposicionamento da fase seguinte da campanha contra o grupo".

O diretor do grupo Deir ez Zor 24, Omar Abu Leila, afirmou no Twitter que helicópteros sobrevoaram a região para proteger o comboio. O ativista, que está fora da Síria, mas mantém uma ampla rede de contatos no país, divulgou fotos e uma filmagem que mostram os 13 veículos blindados americanos cruzando a fronteira.

Questionado pela agência EFE sobre o retorno à Síria, o Pentágono não quis dar detalhes sobre a operação por "motivos de segurança".

A entrada das tropas americanas em Deir ez Zor ocorre enquanto milícias leais a Assad e tropas da Rússia se dirigem para o norte do país para proteger os curdos da ofensiva da Turquia e supervisionar um acordo para retirá-los de uma faixa próxima à fronteira turca.

O pacto foi firmado entre os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin, durante um recente encontro em Sochi.

Há duas semanas, a Casa Branca anunciou que retiraria as tropas americanas da Síria. Dias depois, a Turquia iniciou uma ofensiva contra os curdos, considerados pelo governo de Erdogan como terroristas.

Os principais campos de petróleo da Síria estão no nordeste do país, áreas controladas pelos curdos. As milícias deixaram algumas dessas regiões, que formam a chamada "zona de segurança" de Erdogan, que vai desde Ras al Ain até Tel Abiad. Esses territórios serão patrulhados por soldados russos e turcos após o acordo.

Deir ez Zor foi o último reduto do Estado Islâmico na Síria. O grupo perdeu o último território controlado na província no último dia 23 de março. Apesar disso, várias células ainda continuam ativas na região. 

Para Moscou, decisão é 'banditismo internacional' 

"O que Washington está fazendo agora, a apreensão e controle de campos de petróleo no leste da Síria sob controle armado, é, simplesmente, banditismo internacional", declarou hoje o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, major-general Igor Konashenkov.

"Todos os depósitos de hidrocarbonetos e outros minerais localizados em território da Síria não pertencem aos terroristas do Estado Islâmico e nem mesmo aos 'defensores americanos dos terroristas do EI', mas exclusivamente à República Árabe da Síria", acrescentou o porta-voz.

"A causa real dessa ação ilegal dos EUA na Síria está bem distante dos ideais que Washington tem proclamado e dos slogans de combate ao terrorismo", disse Konashenkov. / EFE e AP 

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