Tropas estrangeiras no Afeganistão matam civis por engano

Dois civis morreram atingidos por tiros de tropas da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), que confundiram as vítimas com milicianos, informou neste domingo a organização em dois comunicados. Uma das mortes aconteceu no sábado, às 15h30 (9h de Brasília), quando tropas da Isaf que patrulhavam uma rodovia na altura de Senjaray, cerca de 12 quilômetros a oeste de Kandahar, mataram um civil que seaproximava de um comboio cantando. "A patrulha notou que o indivíduo se aproximava pelo meio da estrada. Parecia cantar e ignorou os avisos para que parasse. Quando se aproximou ainda mais, os membros do comboio perceberam alguns cabos saindo de seu peito", disse a Isaf em um comunicado. Após a morte do civil, uma inspeção mais rigorosa revelou que o que saída do peito do homem não eram cabos explosivos, mas os tecidos e os cordões de seu casaco. "Qualquer perda de vida é uma tragédia. No entanto, as forças da Isaf devem se proteger quando existem ameaças de comportamento suspeito", afirmou o capitão André Salloum, porta-voz do Comando Sulda Isaf no Afeganistão. A outra morte aconteceu um pouco antes, quando tropas da Isaf tentaram deter um homem que corria em direção a um comboio da coalizão estacionado perto do aeroporto de Kandahar. "Um soldado deu um sinal de aviso ao homem de um dos veículos, mas ele continuou se aproximando do comboio, portanto, deu um tirode advertência. O desconhecido não parou e as forças da Isaf lhe deram um tiro", diz o comunicado. Quando os peritos em explosivos que se encaminharam ao local se certificaram de que o ferido não carregava bomba alguma, a vítima foi levada para o hospital, onde morreu em conseqüência dos ferimentos. "A Isaf lamenta profundamente a perda desta vida humana", disse em referência a um dos fatos a porta-voz da Isaf, a tenente-coronel Angela Biggins. Kandahar é uma das províncias mais violentas do Afeganistão, país onde, no ano passado, mais de 4.000 pessoas morreram, mil delas civis, em conseqüência da guerra entre as forças internacionais e asmilícias do Taleban.

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