Tropas etíopes contra-atacam milícia somali em represália

Pelo menos quatro pessoas morreram e várias ficaram feridas depois que forças etíopes, junto a efetivos do governo provisório somali, lançaram um ataque contra uma base local da milícia islâmica, segundo testemunhas. As testemunhas disseram que cerca de cem soldados etíopes e governamentais, em 15 veículos armados, atacaram a localidade de Idale esta manhã e a milícia leal à União de Tribunais Islâmicos tentou resistir, sem sucesso. Um dos líderes dos Tribunais Islâmicos, xeque Mohammed Ibrahim Bilal, afirmou que os etíopes atacaram para se vingar da emboscada que a milícia islâmica fez a um comboio etíope na segunda-feira, na qual oito soldados morreram, segundo testemunhas. A União de Tribunais Islâmicos, no entanto, assegura que o número de mortos pode chegar a 50. A ação de domingo foi negada pelo governo de transição, que disse que se trata apenas de um ato de propaganda do grupo rebelde. Se estas informações forem confirmadas, seria a primeira ocasião em que ocorrem choques armados entre milicianos islâmicos e os soldados etíopes, que chegaram ao país nos últimos meses para apoiar o governo de transição, com sede em Baidoa. Fontes de Baidoa, que pediram anonimato, disseram à Efe que as tropas etíopes tomaram hoje o controle de Idale, pequena localidade situada a sudoeste da base da Administração provisória, para interromper a estratégica estrada que une a sede do Parlamento e do governo à fronteira com o Quênia. O vice-ministro de Defesa, Salad Ali Jelle, não quis fazer comentários e negou a existência da ofensiva. "As forças do governo patrulham todas as áreas que controlamos, acho que as Forças de Segurança estavam resolvendo um assunto de segurança, mas não atacando", afirmou Ali Jelle. Os Tribunais Islâmicos tentam desde o início do ano tomar o poder na Somália, país imerso no caos e sem governo central desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado. Existe o temor de que a guerra na Somália possa afetar toda a região se algum dos países vizinhos se envolver abertamente. Em 19 de outubro, o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, admitiu ter enviado instrutores militares à Somália para ajudar a enfrentar os Tribunais Islâmicos, que tinha declarado a "jihad" (guerra santa) contra o governo e seus aliados, mas negou categoricamente a presença de soldados etíopes no país. Zenawi denunciou que entre os rebeldes islâmicos há milicianos vindos da Indonésia, do Paquistão e de vários países árabes e nações africanas onde também se professa o Islã.

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