Tropas francesas iniciam ataque por terra no Mali

Força de elite enviada pela França à ex-colônia africana combate radicais em Diabaly, vila a 400 km da capital

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / BAMAKO, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2013 | 02h03

Soldados das Forças Especiais da França entraram ontem em confronto com combatentes radicais islâmicos em Diabaly, 400 km ao norte de Bamako, a capital do Mali, no primeiro combate corpo a corpo desde o início da intervenção francesa, no fim de semana. A informação foi dada pela agência France Presse, com base em duas fontes diferentes, uma do Exército malinês e outra de forças de segurança da região.

Diabaly foi tomada na segunda-feira pelos militantes da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), num avanço desconcertante, em que chegaram mais perto de Bamako do que antes dos bombardeios franceses. Desde então, expulsá-los de lá tornou-se uma questão de honra para os franceses, que no entanto precisaram primeiro, por meio dos bombardeios aéreos, cortar as linhas de suprimento e tolher os movimentos dos insurgentes.

Uma coluna de 30 blindados franceses partiu na madrugada de ontem do aeroporto de Bamako para Diabaly, também com a missão de entrar em combate por terra com os militantes islâmicos. As tropas regulares preferiram estacionar na cidade de Niono, 70 km a sudoeste de Diabaly, onde se juntaram a forças do Exército malinês. Devem avançar hoje ou no mais tardar amanhã para a cidade.

Aparentemente, os combatentes islâmicos são comandados pelo argelino Abu Zeid, um dos líderes da AQMI. Segundo a Associated Press, moradores que fugiram de Diabaly, cidade de 35 mil habitantes, disseram que os militantes haviam tomado suas casas e estavam tentando impedir as pessoas de sair da cidade. "Eles usam barba e vestem boubous", contou um morador, referindo-se aos tradicionais robes usados por homens no Oriente Médio, Norte da África e outras regiões muçulmanas. "Todo mundo está com medo." Cerca de 90% dos malineses são muçulmanos, mas a maioria tem um estilo de vida liberal.

A França já conta com 800 soldados em terra no Mali e esse número deve chegar a 2.000. Aliados europeus e os Estados Unidos contribuirão com apoio logístico e inteligência de satélites. Os países da África Ocidental prometem fornecer 3.300 homens, que serão treinados por militares europeus e gradualmente substituirão os franceses.

A intervenção havia sido autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU em outubro, depois que separatistas tuaregues e combatentes islâmicos consolidaram, em maio, o controle sobre três províncias do norte do Mali. Mas a operação, para "restaurar a ordem", seria conduzida pelos países da região e estava prevista para começar apenas em setembro, dadas as limitações de mobilização dos Exércitos africanos. A ação foi precipitada pelo avanço de combatentes islâmicos, que no dia 10 cruzaram a linha de demarcação do conflito, tomaram a cidade de Konna e se preparavam para seguir para Mopti, considerada a última etapa antes de Bamako.

A capital do Mali - bastante acanhada, apesar de seus 3 milhões de habitantes - continuava calma ontem. De extraordinário, havia um bloqueio da polícia nos dois lados da avenida que dá acesso ao aeroporto. O motorista e o guia do repórter do Estado perguntaram ao policial se eles estavam controlando a entrada e saída de pessoas do país. "Fiquei do lado de cá para ver se vem alguma coisa boa de fora", brincou o policial.

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