Tropas internacionais chegam no Timor Leste

Tropas de paz chegaram nesta quinta-feira à Díli, capital do Timor Leste, para restaurar a segurança, enquanto combates campais entre rebeldes e forças do governo ameaçam jogar o jovem país em uma guerra civil. Pelo menos três pessoas morreram e mais de 12 ficaram feridas nas batalhas, fazendo com que estrangeiros corram às suas embaixadas procurando segurança."Me sinto horrível, como um rato fugindo de um navio afundando", disse a australiana Margaret Hall, que chegou ao país há alguns meses com uma organização que ajuda crianças carentes. "Mas estou confiante de que voltarei", completou Margaret.O conflito é a mais séria ameaça ao país desde que o Timor Leste conseguiu sua independência da Indonésia, em 1999, após uma carnificina que precisou da intervenção de uma missão de paz para ser encerrada. O país foi administrado pela ONU por três anos.Violência atualAs recentes disputas, no entanto, começaram em março, quando 600 soldados - cerca de 40% de todo o contingente do exército local - foram demitidos. Eles participaram de manifestação que protestava contra a discriminação no exército. Alguns oficiais fugiram da capital, escondendo-se em localidades próximas e ameaçando a criação de uma guerrilha para que fossem readmitidos.Os combates chegaram a seu terceiro dia consecutivo nesta quinta-feira, afetando diversas partes da capital, inclusive as proximidades do escritório Presidencial e de um galpão da ONU utilizado como abrigo por cerca de 1.500 refugiados.Dois ex-soldados e um capitão foram mortos, elevando o total de mortos para cinco, disse o porta-voz dos ex-soldados, tenente Gastão Salsinha. Outros 14 ex-soldados e um civil sul-coreano ficaram feridos.Força de PazOs primeiros 1.300 soldados australianos que chegaram nesta quinta-feira foram recebidos com comemoração pela população timorense.O premiê australiano, John Howard, disse a repórteres em Camberra que o restante das tropas chegarão rapidamente.Mas reiterou que tinha uma "certa dúvida" se as tropas australianas conseguiriam restabelecer a paz e a normalidade do país.A Nova Zelândia disse que também enviará 60 policiais e soldados na próxima terça-feira. Portugal, que colonizou o Timor Leste por quatro séculos até 1975, também concordou em mandar tropas, assim como a Malásia.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse nesta quinta-feira que ele enviaria um representante da organização para garantir a segurança do país. O comandante das forças rebeldes, major Alfredo Reinado, - que é procurado vivo ou morto no Timor Leste - disse que somente com tropas da paz poderá ser evitada uma guerra civil.Preparando-se para o pior, dúzias de estrangeiros fugiram do país, incluindo 40 membros da embaixada australiana e seus familiares. A representação americana no país também ordenou a saída de todo o pessoal que não fosse essencial e alertou os cidadãos americanos no país para que fizessem o mesmo.

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