REUTERS/Stringer
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Tropas iraquianas retomam dos curdos o controle de campo de petróleo e base militar de Kirkuk

Milhares de habitantes fugiram da região em direção a Erbil e Suleimaniyeh, as duas principais cidades da região autônoma curda

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 12h04

KIRKUK, IRAQUE - As tropas iraquianas - praticamente sem combate - retomaram nesta segunda-feira, 16, o controle de parte de seus objetivos na Província de Kirkuk, de onde milhares de habitantes fugiram. Um dos seis campos petrolíferos da região, além de uma base e um aeroporto militares foram recuperados pelas forças governamentais.

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Após o fracasso do diálogo entre Bagdá e Erbil e o fim de um ultimato lançado pelo poder central após a realização de um referendo de independência no Curdistão iraquiano, o Exército retomou desde domingo à noite várias zonas e infraestruturas de Kirkuk, sob controle curdo desde 2014.

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Com exceção de algumas trocas de tiros, o avanço do Exército foi facilitado pela retirada dos peshmergas da União Patriótica do Curdistão (UPK) das posições que controlavam ao sul de Kirkuk. O UPK é rival do Partido Democrata do Curdistão (PDK) do presidente curdo Massud Barzani, responsável pela organização do referendo de autodeterminação.

Dez combatentes curdos morreram e 27 ficaram feridos nos combates noturnos contra as unidades paramilitares do Hachd al-Chaabi, segundo informações dos hospitais da região. De acordo com autoridades curdas, dezenas de combatentes estão desaparecidos.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, comandante-chefe das Forças Armadas, convocou suas tropas a agirem "em coordenação com os habitantes e peshmergas" (combatentes curdos).

Fuga

Em razão das operações militares, milhares de habitantes deixaram os bairros curdos de Kirkuk nesta segunda-feira em direção a Erbil e Suleimaniyeh, as duas principais cidades da região autônoma curda.

Há muito trânsito na saída das cidades e famílias inteiras estão fugindo. “Milhares de habitantes de Kirkuk, em particular os curdos, saem da cidade em direção às estradas que levam a Suleimaniyeh e Erbil”, indicou um responsável local.

“Decidimos sair de Kirkuk e ir até Suleimaniyeh porque temos medo dos confrontos”, declarou Chunem Qader, uma professora de 51 anos. “Em 1991, tivemos que fugir para Kirkuk, como hoje”, acrescentou ela, em alusão às revoltas curdas de março de 1991, reprimidas por Sadam Hussein.

“Vivemos em paz, mas os políticos de Bagdá e Erbil se enfrentam pelo controle do petróleo e as vítimas somos nós, os habitantes de Kirkuk”, declarou Himen Chuani, de 65 anos, que foge com sua família.

Segurança

Justificando que o referendo curdo de 25 de setembro criou um "risco de divisão" do Iraque, o primeiro-ministro acusou os líderes da região autônoma de persistir em fazer valer o "sim" maciço (93%) da consulta declarada contrária à Constituição por Bagdá. Seu "dever constitucional", acrescentou em um comunicado, é "impor a segurança e a autoridade federal" em Kirkuk, onde convocou "todos os cidadãos a cooperarem" com as tropas.

Na cidade, autoridades curdas convocaram os civis durante a noite a pegar em armas. Ao mesmo tempo, o Comando Conjunto das Operações (JOC), que reúne todas as forças iraquianas envolvidas na ofensiva, anunciou uma sucessão de avanços rápidos. Em particular, a "base militar K1", a mais importante da província disputada, a noroeste da cidade de Kirkuk, tomada pelas unidades antiterroristas (CTS). Ali, as forças iraquianas queriam apagar a humilhação sofrida em junho de 2014, quando os peshmergas tomaram a base e forçaram os soldados iraquianos a retirar seus uniformes. Eles também haviam confiscado suas armas.

Logo depois, de acordo com o JOC, as forças "assumiram o controle do aeroporto militar de Kirkuk", a leste da cidade, "do quartel-general da North Oil" (NOC) - uma instituição pública encarregada da extração e comercialização do petróleo - e do "campo petrolífero de Baba Gargar".

Os peshmergas controlavam até então os seis campos de petróleo da região de Kirkuk, que produzem 340 mil bpd dos 550 mil bpd exportados em média pelo Curdistão.

Os curdos administram diretamente o campo de Khormala desde 2008 e os de Havana e Bay Hassan desde 2014, que produzem 250 mil bpd. Os três outros campos - Baba Gargar, Jambur e Khabbaz -, são administrados oficialmente pela NOC, mas as receitas vão para os curdos.

A cidade de Kirkuk tem uma população de 850 mil habitantes, dos quais dois terços são de origem curda. / AFP

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