Dan Balilty/The New York Times
Dan Balilty/The New York Times

Israel usa tropas terrestres contra Gaza, mas sem entrar em enclave palestino

Não ficou imediatamente claro se o ataque foi o prelúdio de uma invasão terrestre contra o Hamas, o grupo militante islâmico que controla o território palestino; número de mortos passa de uma centena

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 19h14
Atualizado 14 de maio de 2021 | 07h34

JERUSALÉM - As forças terrestres israelenses realizaram ataques contra a Faixa de Gaza na manhã de sexta-feira (hora local, noite de quinta-feira em Brasília) em uma escalada do conflito com militantes palestinos que até agora havia sido travado apenas por ataques aéreos de Israel e foguetes de Gaza. Não ficou imediatamente claro se o ataque foi o prelúdio de uma invasão terrestre contra o Hamas, o grupo militante islâmico que controla Gaza.

O confronto se acirrou durante a madrugada, com novos bombardeios dos dois lados da fronteira, e o número de mortos subiu para mais de 120, a maioria palestinos. Autoridades de Saúde de Gaza informam que 119 pessoas morreram na região desde o início desta nova onda de violência. Enquanto isso, autoridades de Israel confirmam a morte de sete pessoas no mesmo período.

Um porta-voz militar israelense, o tenente-coronel Jonathan Conricus, disse inicialmente que havia tropas terrestres atacando Gaza, mas depois esclareceu que as tropas israelenses não haviam entrado no enclave palestino, sugerindo a possibilidade de que fogo de artilharia partiu do território israelense. Ele não forneceu mais detalhes.

Para Entender

As origens do conflito entre israelenses e palestinos

Conheça um pouco sobre a história do conflito entre israelenses e palestinos, cujo novo capítulo de confronto já deixou mortos de ambos os lados

Horas antes, Israel convocou 9 mil reservistas e colocou todas as tropas de combate em alerta, em um sinal de que a escalada do conflito era iminente. A escalada do conflito ocorre em meio à pressão internacional por uma saída diplomática para a crise. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir no domingo para discutir o tema. 

Na noite de quinta-feira (horário local), uma operação das Forças de Defesa de Israel lançou 160 aviões em direção a Gaza com o objetivo de bombardear uma rede de túneis subterrâneos pertencente ao Hamas. Citando um porta-voz do exército, o general Hidai Zilberman, o jornal Times of Israel noticiou que pelo menos 450 mísseis foram disparados em 40 minutos. Ao The Guardian, as forças armadas confirmaram que “muitos quilômetros da rede de túneis foram destruídos”.

Desde segunda-feira, quando começou o conflito, até o início da manhã de hoje em Israel (noite de ontem no Brasil), quase 1,6 mil foguetes haviam sido lançados de Gaza pelo Hamas e pela Jihad Islâmica, outro grupo militante palestino.

Netanyahu faz ameaças

Pouco depois do anúncio do porta-voz das Forças de Defesa de Israel, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, fez um pronunciamento sobre a operação.  

"Eu disse que cobraria um preço muito alto do Hamas e de outros grupos terroristas", afirmou o premiê, que nos últimos dias tem ameaçado o Hamas com uma invasão terrestre. "O último capítulo desta operação ainda não foi escrito e ela continuará o quanto for necessário para restaurar a paz e a segurança de Israel", concluiu.

O aumento dos combates destacou a posição sem precedentes em que Israel se encontra - lutando contra militantes palestinos em seu flanco sul, enquanto busca evitar sua pior agitação civil em décadas.

Grupos árabes e judeus voltaram a se enfrentar nas ruas de cidades israelenses, com as autoridades enviando reforços da polícia de fronteira armada para a cidade central de Lod para tentar impedir o que os líderes do país alertaram que poderia tornar-se uma guerra civil. Cerca de 100 pessoas foram presas em cidades como Wadi Ara, Umm al Fahm, Beersheba e Netanya, de acordo com a polícia israelense.

Em Tel Aviv, dois judeus atacaram um jornalista que cobria um encontro de ultranacionalistas. Na cidade de Lod, um judeu foi baleado e gravemente ferido por um árabe. Em Jaffa, um soldado israelense foi atacado por um grupo de árabes e teve de ser hospitalizado em estado grave.

Ao menos seis cidades de Israel registraram episódios de violência entre árabes e israelenses, que incluem linchamentos, ataques com armas brancas, saques e depredação. É a primeira vez em 20 anos que os cidadãos árabes de Israel saem às ruas para protestar. / AP, AFP, NYT e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.