Tropas libertam maioria dos reféns e controlam parte de shopping no Quênia

Ao menos 68 pessoas morreram e 175 ficaram feridas em ataque do grupo somali Al-Shabab

O Estado de S. Paulo,

22 Setembro 2013 | 17h25

O Exército do Quênia lançou no começo da noite deste domingo, 22, a ofensiva para retomar o controle do shopping Westgate, em Nairóbi, controlado desde a tarde de ontem por militantes da milícia radical somali Al-Shabab. Segundo os militares, a maior parte dos reféns em poder do grupo já foi libertada e equipes de elite controlam a maior parte do prédio.

Ao menos quatro soldados foram feridos em troca de tiros com os extremistas. A expectativa do Exército é a de que o conflito termine ainda nesta noite. O último balanço da Cruz Vermelha queniana indica que 68 pessoas morreram e 175 ficaram feridas no ataque.

Os militantes invadiram o local no sábado, por volta do meio dia, com granadas e fuzis de ataque. Por meio de sua conta no Twitter, o Shabab considerou a ação uma represália à presença de tropas quenianas na Somália.

Mais cedo, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse que as forças de segurança têm uma boa chance de neutralizar os militantes. Kenyatta, que disse ter um sobrinho seu e outro de sua noiva entre os mortos, afirmou que o governo tem relatos do envolvimento de homens e mulheres na ação no shopping.

"Os criminosos agora estão localizados em um lugar dentro do edifício. Com os profissionais no local, eu garanto aos quenianos que temos uma boa chance de neutralizar com sucesso os terroristas como nós esperamos", disse ele em entrevista coletiva.

Questionado se iria considerar a retirada das tropas, Kenyatta disse: "Nós fomos como uma nação para a Somália para ajudar a estabilizar o país, mas, sobretudo, para lutar na guerra contra o terror." "Não vamos ceder na guerra contra o terror... Ele (o ataque) só tem aumentado o nosso compromisso de lutar e vencer essa guerra."

Após declarações semelhantes da oposição e de outras autoridades na residência presidencial, Kenyatta também pediu que os países não emitam alertas de viagens que prejudicariam a indústria do turismo, vital para o Quênia. Ele não respondeu se reféns que ainda estão dentro do shopping tinham explosivos amarrados a eles, dizendo que não iria comentar as operações.

Ajuda israelense. Consultores israelenses estão ajudando autoridades do Quênia a formular uma estratégia para acabar com um cerco a um shopping center de Nairóbi, onde militantes islâmicos mataram ao menos 59 pessoas e estão mantendo reféns, disse uma fonte de segurança israelense no domingo.

"Há consultores israelenses ajudando com a estratégia de negociação, mas não há israelenses envolvidos em qualquer operação ofensiva iminente", disse a fonte, que não quis ser identificada.

Uma fonte israelense em Nairóbi disse que todos os israelenses presentes no shopping no momento do ataque haviam saído do local em segurança, com os três últimos resgatados durante a noite.

Uma fonte de segurança do Quênia, que pediu para não ser identificada, disse que o Exército israelense estava envolvido na operação, enquanto um oficial de segurança privada também afirmou que eles estavam ajudando a fazer um pente fino no shopping. / AP, Reuters e EFE

Mais conteúdo sobre:
Quêniaatentadoexército

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.