Tropas russas expandem controle militar sobre península ucraniana

Terminal marítimo é ocupado por militares russos, que já são seis mil em toda a Crimeia

O Estado de S. Paulo,

03 de março de 2014 | 11h11

KIEV - Tropas russas expandiram nesta segunda-feira, 3, seu controle sobre a Península da Crimeia, área de etnia russa no sul da Ucrânia considerada estratégica para o Kremlin. Soldados ocuparam um terminal marítimo em Kerch e caças Sukhoi violaram o espaço aéreo ucraniano, que tinha sido fechado na noite de domingo.

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O terminal marítimo é o principal ponto de ligação entre a Crimeia e o litoral russo no Mar Negro e pode ser crucial para um eventual desembarque de tropas em uma possível ação militar. Ele foi ocupado durante a madrugada por soldados e veículos armados russos. Na cidade vizinha de Nikolaiev, moradores relataram a chegada de mais tropas russas durante a noite.

Em Sevastopol, cidade ucraniana que abriga a principal base russa no Mar Negro, foi registrado um aumento na movimentação de navios de guerra. O serviço de telefonia foi cortado em algumas áreas da cidade.

Jatos de combate russos violaram duas vezes o espaço aéreo da Ucrânia sobre o Mar Morto durante a noite, informou o Ministério da Defesa da Ucrânia. A Força Aérea do país identificou um jato Sukhoi SU-27 e disse ter prevenido quaisquer "ações provocativas".

A Rússia controlou militarmente a península sem disparar um só tiro. O temor agora no governo interino ucraniano e nos países ocidentais é o de que o presidente Vladimir Putin pretenda expandir o controle sobre áreas de etnia russa no sul e leste da Ucrânia, depois da derrubada do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, no mês passado.  Fontes do governo americano acreditam que os russos já controlam militarmente toda a Crimeia, com mais de 6 mil homens na região.

O primeiro-ministro da Ucrânia Arseni Yatsenyuk insistiu em reunião com o secretário do Exterior britânico, William Hague, que a Crimeia ainda faz parte do território do país. "Qualquer tentativa russa de anexar a Crimeia não terá sucesso. Mas precisamos de tempo", disse o premiê. "Precisamos de apoio tangível e real de nossos parceiros ocidentais."

Yatsenyuk se mostrou refratário a uma escalada militar do impasse. "Por enquanto, nenhuma opção militar está na mesa" declarou o líder ucraniano. "Sou partidário de uma solução diplomática dessa crise, porque um conflito traria instabilidade à toda região."  / AP e REUTERS

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