Tropas sírias lançam gás lacrimogêneo contra funeral

Forças do regime sírio usaram gás lacrimogêneo para dispersar milhares de pessoas que participavam do funeral de manifestantes mortos neste sábado em Damasco, informou o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos.

AE, Agência Estado

05 Maio 2012 | 17h13

"As forças do regime usaram gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas que participavam do funeral dos mártires de Kfar Sousa e pediam a queda do regime" de Bashar Assada, disse o grupo, sediado em Londres. Os protestos ocorreram depois de violentos ataques serem registrados em Damasco e na cidade de Alepo, na manhã deste sábado.

Os episódios de violência aconteceram dois dias antes da eleição parlamentar no país.

Uma explosão atingiu um lava rápido quando um ônibus passava por um subúrbio de Alepo, informou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório. Pelo menos cinco pessoas morreram, informou a agência France Presse em Beirute. Os ataques a bombas nas duas maiores cidades da Síria se tornaram comuns ultimamente, à medida que a revolta contra o presidente do país, Bashar Assad, fica cada vez mais militarizada.

A agência estatal de notícias Sana informou que três pessoas morreram em Alepo e que 21 ficaram feridas, duas das quais com gravidade. Fotografias da explosão divulgadas pela Sana mostram grandes danos em prédios e carros próximos.

Duas explosões também atingiram a capital Damasco neste sábado, informou Abdel Rahman. Uma delas "dentro da cidade e a outra na periferia", onde três soldados ficaram feridos. Imagens de televisão mostram um carro destruído pelas explosões.

Abdel Rahman acusou o regime de lançar os ataques para interromper os funerais, um dia depois de as forças de segurança terem matado 30 manifestantes contrários ao regime, dentre eles nove nos distritos de Kfar Sousa e Tadamon districts. Segundo o Observatório, mais de 600 pessoas foram mortas em todo o país durante o tênue cessar-fogo, iniciado em 12 de abril.

Desde março do ano passado a oposição ao governo pegou em armas e tomou as ruas, mas Alepo e Damasco, que continuam sob poder de Assad, ainda são atingidas apenas por explosões que parecem ter como alvo prédios ligados aos serviços militar e de segurança. Segundo o ativista Mohammed Saeed, a loja no bairro de Sukari, em Alepo, é propriedade de um homem que atua em milícias favoráveis ao governo, conhecidas como shabiha.

O acordo de paz que deveria ter começado em 12 de abril não está sendo cumprido e as forças do regime continuam lançando morteiros sobre áreas dominadas pela oposição e atirando em manifestantes. Uma equipe da ONU de mais de 300 pessoas vai monitorar o cumprimento do acordo de paz. O diretor de paz da ONU, Herve Ladsous, afirmou que cerca de 40 observadores estão na Síria e no domingo o número aumentará para 65.

A ONU afirma que mais de 9 mil pessoas foram mortas desde o começo dos protestos. Ninguém assumiu a autoria das explosões de hoje. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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