Tropas sírias matam 14 em mais um dia de protestos

Milhares de pessoas foram às ruas da Síria pedir democracia após apelos de EUA e UE

AE - Agência Estado

19 de agosto de 2011 | 12h45

AMÃ - Forças sírias mataram 14 manifestantes nesta sexta-feira, disseram ativistas, apesar da promessa do presidente Bashar al Assad de interromper a repressão militar aos dissidentes. Estimulados pelos apelos dos EUA e da União Europeia a favor da renúncia de Assad, milhares de pessoas foram às ruas da Síria pedir democracia.

 

Veja também:

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

 

 

Os incidentes mais graves desta sexta-feira ocorreram na província de Deraa, no sul, berço da rebelião contra Assad, iniciada em março. "Temos os nomes de quatro manifestantes confirmadamente mortos em Inkhil, e relatos de disparos intensos das forças de segurança contra manifestações na zona rural de Deraa", disse à Reuters o importante ativista local Abdallah Aba Zaid.

 

O advogado Thamer Jahamani afirmou que outras duas pessoas foram mortas e dezenas feridas por soldados numa manifestação na localidade de Hirak.

A Síria expulsou a maior parte da imprensa estrangeira do país, por isso é difícil verificar os relatos vindos de lá. Investigadores da ONU dizem que as forças de Assad podem ter cometido crimes contra a humanidade na repressão aos protestos dos últimos meses.

As preces da sexta-feira ao meio-dia, as mais importantes da semana para os muçulmanos, têm dado origem às maiores manifestações na Síria - e consequentemente aos incidentes mais violentos. Na semana passada, 20 pessoas foram mortas durante protestos em que a multidão, desafiadora, gritava: "Só para Deus nos ajoelhamos."

Assad disse nesta semana ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que havia ordenado o fim das operações de suas forças de segurança contra os manifestantes. Mas ativistas disseram que os soldados continuam atirando.

"Talvez Bashar al Assad não considere a polícia como 'forças de segurança'", disse uma testemunha na cidade de Hama, onde policiais usaram metralhadoras, na noite de quinta-feira, para impedir um protesto.

A TV estatal síria disse que homens armados atacaram um posto policial na província de Deraa, matando um policial e um civil, e ferindo dois outros.

Imagens colocadas na internet dos protestos desta sexta-feira sugerem que, embora disseminadas, as manifestações estão menores do que no seu auge, em julho, antes de Assad enviar tanques e soldados para ocuparem várias cidades.

Além de pedir a renúncia de Assad, os EUA impuseram na quinta-feira novas sanções ao regime da Síria, um país estratégico, pois faz fronteira com Israel, Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia, além de ser aliado do Irã.

Já a Rússia, que resiste aos apelos ocidentais pela imposição de sanções da ONU a Damasco, disse nesta sexta-feira que é contra a pressão pela renúncia de Assad, pois acha que ele precisa de mais tempo para implementar reformas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.