Tropas sírias só saem após normalização, diz porta-voz

O governo sírio não vai retirar as suas tropas das cidades e vilas tragadas pelos conflitos no país antes que as vidas voltem ao normal nessas áreas, informou em um comunicado o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Jihad Makdessi. Neste sábado, ativistas relataram novos casos de violência que resultaram na morte de ao menos 12 pessoas.

AE, Agência Estado

31 Março 2012 | 12h55

O comunicado foi a primeira resposta a um apelo feito pelo enviado da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, às autoridades sírias para que interrompam as atividades militares, como "a parte mais forte" do embate, num "gesto de boa fé" para com a oposição.

A postura do governo sugere que a implementação da proposta de Annan para acabar com o conflito - aceita pelo presidente Bashar Assad - será um progresso longo e complicado. Damasco parece estar ganhando tempo ao indicar um consentimento com o plano, mas, em seguida, implicar ou ignorar os detalhes.

Um dos pontos centrais levantados pelo enviado especial da ONU é a retirada das tropas sírias das cidades, mas Makdessi afirmou à TV estatal na noite de ontem que o exército está em áreas povoadas apenas "em autodefesa e para proteger os civis."

"O exército sírio não está feliz em estar presente em áreas residenciais", disse o porta-voz. "Assim que a paz e a segurança prevalecerem, o exército não permanecerá nem aguardará a saída de Kofi Annan. Este é um problema sírio."

O levante na Síria começou um ano atrás com protestos pacíficos contra o regime de Assad. Diante da feroz repressão, os protestos ficaram cada vez mais militarizados e os grupos de oposição agora dizem que a única esperança é expulsar o presidente. A ONU estima que mais de 9 mil pessoas tenham sido mortas nos conflitos. As informações são da Associated Press.

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