Tropas somalis e etíopes enfrentam islâmicos perto de Jilib

Tropas do governo etíope e somali entraram em combate com forças islâmicas neste domingo perto da cidade de Jilib, onde os islâmicos se entrincheiraram depois de saírem da capital Mogadíscio, disse um legislador somali. "A luta começou aqui. Estamos nas cercanias de Jilib", disse à Reuters por telefone o legislador Abdirashid Hidig. Um morador da região explicou por telefone que a luta havia começado em Bulobaley, entre Jilib e Buale, uma das duas cidades de onde as forças etíopes e somalis se aproximavam às linhas de defesa islâmicas. "O combate começou em Bulobaley...vários foguetes e morteiros atingiram a cidade. Posso ver muitos outros sendo disparados na direção da cidade", disse o morador, que pediu para não ser identificado. "A maioria dos morteiros e foguetes que atingiram a cidade caíram em casas vazias. Não sei se há alguém ferido", disse ele. Milhares de moradores estavam deixando a área em antecipação a um confronto entre as tropas do governo etíope e somali e os islâmicos, que foram expulsos de Mogadíscio na quinta-feira.Explosão na capitalMais cedo, as tropas governamentais haviam anunciado a proximidade a Kismayu, onde possivelmente enfrentariam os islâmicos. Ainda não confirmado se este confronto ocorreu ou não, mas uma explosão em Mogadíscio provocou temores de guerra de guerrilha. Dois dias depois que uma força conjunta do governo e da Etiópia afastou os islâmicos da capita da Somália, um míssil aparentemente direcionado contra uma das posições militares atingiu uma casa em um bairro de Mogadíscio durante a noite. "Ouvimos uma grande explosão atrás do hotel Ramadan", disse um morador de Mogadíscio, que pediu para não ter o nome divulgado, sobre o ataque no bairro onde ficava o quartel general do Conselho das Cortes Islâmicas da Somália (SICC) depois que o grupo tomou a capital, em junho. "Quando corri para lá, ouvi gente gritando e me disseram que uma mulher morreu e que um homem e sua filha ficaram feridos." O ataque na cidade tomada por violência há quase duas décadas parece ter sido direcionado contra as tropas etíopes, provocando temores de que o grupo islâmico passe a usar táticas de guerrilha. O grupo estava perto de tomar Baidoa, cidade comercial e sede administrativa da Somália, mas foi afastado de forma dramática pela ofensiva aérea e terrestre liderada pela Etiópia.Conflito Centenas, ou possivelmente milhares de pessoas morreram em batalhas que segundo agências de ajuda formam o pior conflito em uma década na região conhecida como Chifre da África. Os combatentes islâmicos, que receberam oferta de anistia do governo em troca de rendição, dizem que estão dispostos a negociar com o governo interino endossado pela ONU, mas que antes os soldados etíopes devem sair. Depois de abandonar Mogadíscio, líderes islâmicos fugiram para a cidade portuária de Kismayu, no sul, onde estão tentando reunir forças. Aviões etíopes sobrevoaram a cidade e os combatentes islâmicos minaram a estrada que leva ao local. Tanques etíopes estão se movimentando na direção de Kismayu, 300 quilômetros a sudoeste da capital, e os muçulmanos exortaram os simpatizantes a resistir. "Vamos combater os etíopes, se Deus quiser vamos removê-los de nossa terra", disse à Reuters Ahmed Ali, chefe de segurança dos islâmicos na região de Kismayu, a partir da linha de frente em Jilib, ao norte do porto. Moradores temem um banho de sangue "Apelamos para ambos os lados cessarem as hostilidades. Muita gente será afetada se houver guerra aqui", disse o ativista da paz Zainab Ali. Os combatentes islâmicos, que receberam oferta de anistia do governo em troca de rendição, dizem que estão dispostos a negociar com o governo interino endossado pela ONU, mas que antes os soldados etíopes devem sair.

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