Tropas somalis matam 7 civis em campo de refugiados

Segundo testemunhas, soldados roubavam rações de alimentos quando confusão começou

estadão.com.br,

05 de agosto de 2011 | 12h20

Atualizado às 12h46

 

 

 

MOGADISCIO - Tropas do governo da Somália abriram fogo contra civis famintos nesta sexta-feira, 5, na capital Mogadiscio, matando pelo menos 7 pessoas. De acordo com relatos, a confusão começou quando grupos de pessoas desesperadas por alimentos entraram em choque com os soldados em um local de distribuição de alimentos enviados pelas Nações Unidas.

 

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Testemunhas acusam soldados do governo de começarem o caos ao tentarem roubar rações de comida, enquanto voluntários tentavam manter as tropas fora do maior campo para refugiados famintos na capital somali.

 

Refugiados começaram a entrar na confusão e os soldados abriram fogo, disseram as testemunhas. "Foi um massacre. Eles atiraram em todo mundo", disse à AP Abdi Awale Nor, que vive no campo. "Os corpos dos mortos foram deixados no local e os feridos sangraram até morrer".

 

'Brigas, saques e mortes'

 

David Orr, porta-voz do programa mundial de alimentação das Nações Unidas, disse que a distribuição de alimentos começou nesta sexta-feira às 6 horas da manhã (horário local, 0h em Brasília), mas rapidamente degenerou em confusão algumas horas depois.

 

"Tivemos relatos de brigas, saques. Caminhões foram atacados por uma multidão. Existem relatos de mortes", disse Orr. Segundo o porta-voz, não se podia confirmar o número de óbitos.

 

Outro refugiado, Muse Sheik Ali, disse que os soldados primeiro tentaram roubar alimentos, e que então os refugiados começaram a roubar. "Então os soldados abriram fogo contra os civis e 7 pessoas, incluindo idosos, foram mortas no local. Então os soldados saquearam a comida e as pessoas fugiram".

 

Dezenas de milhares de somalis famintos fugiram para a capital Mogadiscio, deixando as regiões do sul assoladas pela seca e pela fome. A seca e a fome já mataram 29 mil crianças na Somália nos últimos 90 dias, de acordo com estimativas do governo dos Estados Unidos.

Com Agência Estado, AP e Reuters

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