Mark Blinch / Reuters
Mark Blinch / Reuters

Trudeau se envolve em crise política e ministra renuncia por não confiar no governo

Jane Philpott é próxima da procuradora-geral que acusa funcionários do alto escalão de tentar evitar o julgamento por fraude de empresa acusada de pagar propina ao governo líbio na época de Kadafi

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 11h43

OTTAWA - O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, está envolvido em um escândalo político pelo qual a oposição pede sua renúncia e o início de uma investigação federal sobre as denúncias da procuradora-geral do país. Nesta segunda-feira, 4, a ministra do Orçamento, Jane Philpott, renunciou e disse que já não confia mais no governo.

Segundo a imprensa local, Jane é próxima da ex-ministra da Justiça e procuradora-geral Jody Wilson-Raybould, que desencadeou a crise no governo de Trudeau ao acusar funcionários do alto escalão de tentar evitar o julgamento por fraude da gigante da engenharia SNC-Lavalin.

Em fevereiro, Jody disse à Comissão de Justiça da Câmara dos Comuns que o premiê, um de seus ministros e conselheiros próximos a pressionaram de forma "inapropriada", incluindo "ameaças veladas", para que interviesse em um processo penal. Ela afirmou também que eles a perseguiram para que o caso fosse resolvido fora dos tribunais. A ex-ministra se negou, e o julgamento deve começar em breve.

A canadense SNC-Lavalin foi acusada em 2015 de corrupção por suspeita de ter subornado funcionários na Líbia entre 2001 e 2011 para garantir contratos governamentais durante o reinado do líder Muamar Kadafi, morto em 2011.

Renúncia

"Estive considerando os eventos que sacudiram o governo federal nas últimas semanas e, após uma reflexão séria, cheguei à conclusão de que devo renunciar como membro do gabinete", disse Jane Philpott no Twitter.

"Os princípios solenes em jogo são a independência e a integridade de nosso sistema de Justiça. Infelizmente, perdi a confiança em como o governo tratou este assunto e em como respondeu aos problemas que se apresentaram", destacou a ministra. / AFP

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