AP Photo/Evan Vucci
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Trump acusa ex-diretor do FBI de vazar informação secreta à imprensa

Presidente americano compartilhou reportagem da Fox News sugerindo que James Comey forneceu relatório com dados sigilosos, o que seria algo 'muito ilegal'; em análise, 'Washington Post' diz que acusações da emissora e do republicano usaram dados incorretos

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 11h55

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta segunda-feira, 10, o ex-diretor do FBI James Comey de vazar informações secretas para a imprensa americana, algo que seria "muito ilegal", na avaliação do republicano.

"James Comey vazou INFORMAÇÃO SECRETA à imprensa. Isto é muito ilegal", escreveu Trump em uma mensagem publicana pela manhã em sua conta no Twitter. O republicano fez a acusação menos de 10 minutos depois de retuitar um vídeo da emissora Fox News mencionando "relatos acusando James Comey de vazar informações ultra secretas para um amigo".

A reportagem do programa FOX & Friends retuitada por Trump foi produzida usado como base informações publicadas pelo site The Hill na noite de domingo sobre alguns dos memorandos - que, supostamente, teriam informações secretas - escritos por Comey citando as conversas privadas que manteve com o presidente enquanto era o chefe do FBI.

Segundo o The Hill, que cita fontes anônimas com conhecimento sobre o conteúdo dos memorandos, quatro dos sete textos produzidos por Comey continham informações sigilosas. Não se sabe, no entanto, quantos e quais destes relatórios o ex-diretor do FBI teria vazado.

Quando dirigia o FBI, Comey era responsável pela investigação sobre a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais nos EUA até que Trump decidiu demiti-lo de maneira fulminante em maio.

No testemunho que ofereceu perante o Senado em junho, o ex-diretor do FBI explicou que compartilhou com um amigo alguns dos seus memorandos e pediu que esta pessoa os vazasse à imprensa depois que Trump ameaçou divulgar "fitas" das conversas privadas entre ambos.

Semanas após fazer essa ameaça, Trump admitiu que ele não tem fitas e nem gravou as conversas com Comey, sem descartar, não obstante, que existam essas gravações.

Essa investigação está agora nas mãos de um procurador especial, o ex-diretor do FBI Robert Mueller, cuja amizade com Comey é considerada "muito frustrante" por Trump.

Apuração

Uma análise do caso publicada pouco depois pelo jornal The Washington Post, porém, acusa a emissora Fox News de usar informações incorretas tanto em seu tuíte quanto na reportagem exibida no programa Fox & Friends. "O tuíte de "Fox & Frieds com base na reportagem do The Hill está incorreto. E, consequentemente, também está errado o tuíte de Trump", diz o Post. 

O jornal afirma que quando testemunhou perante o Senado em junho, os legisladores questionaram Comey sobre a divulgação ou não de informações secretas, o que ele fez questão de esclarecer que não ocorreu - Comey disse que o texto que repassou para seu amigo não era o que tinha o material sigiloso.

O jornal diz ainda que esta não seria a primeira vez que Trump pega informações incorretas do programa Fox & Friends e as republica. Em março, diz o Post, o programa exibiu dados de detentos de Guantánamo libertados nos governos de George W. Bush e Barack Obama, mas o presidente Trump usou os números para atacar apenas o democrata. / EFE e WASHINGTON POST

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