EFE/SHAWN THEW
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Trump adia decisão sobre Acordo de Paris para depois da reunião do G-7 no fim de maio

Presidente americano prometeu no fim de abril que em duas semanas tomaria 'grande decisão' sobre o compromisso do país com acordo sobre mudança climática; porta-voz afirma que republicano quer consultar conselheiros

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 16h23

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só tomará uma decisão sobre a saída do país do Acordo de Paris sobre a mudança climática depois que retornar da Cúpula do G-7, que acontecerá entre os dias 26 e 27 de maio na Itália.

Trump prometeu no dia 29 de abril que tomaria uma "grande decisão" sobre o Acordo de Paris nas próximas duas semanas, prazo que se encerraria no próximo sábado. No entanto, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou nesta terça-feira, 9, que o presidente decidiu adiar a decisão até o retorno da reunião dos sete países mais industrializados do mundo no fim do mês.

"O presidente esteve se reunindo com sua equipe por um bom tempo para tratar deste assunto, e ele não vai fazer um anúncio sobre o acordo até depois do seu retorno da reunião do G-7", disse Spicer.

A Casa Branca tinha previsto para esta terça-feira uma reunião da equipe que assessora Trump sobre o Acordo de Paris, mas o encontro foi adiado, sem previsão de data. De acordo com Spicer, Trump "deseja manter suas reuniões com sua equipe, tanto a equipe de desenvolvimento como a de economia, para tomar uma decisão sobre o melhor interesse dos Estados Unidos".

A Casa Branca está dividida em dois grupos quanto ao Acordo de Paris, um deles liderada pela filha do presidente, Ivanka Trump, pelo secretário de Estado, Rex Tillerson, e pelo secretário de Energia, Rick Perry, segundo vários veículos da imprensa americana.

Os três defendem a permanência do país no pacto sobre o clima. Tillerson considera a continuidade vital se os EUA não quiserem perder influência no palco global. Perry, apesar de desejar ficar no acordo, quer renegociar os compromissos firmados pelo governo do ex-presidente Barack Obama.

Do outro lado, entre os que querem abandonar o acordo, estão o estrategista-chefe de Trump, Stephen Bannon, e o administrador da Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA), Scott Pruitt, que, na semana passada, classificou o pacto como um "mau negócio".

O compromisso assumido pelos EUA é de reduzir até 2025 as emissões de gás de efeito estufa entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005.

O governo de Obama planejava atingir esse objetivo substituindo as usinas elétricas abastecidas por carvão por outras movidas a gás natural e energias limpas, uma política que contrasta com a promessa de Trump de criar empregos para os trabalhadores de usinas que usavam combustíveis fósseis.

Se os EUA decidirem ficar no Acordo de Paris, mas alterando os compromissos assumidos - algo inevitável se Trump prosseguir desmantelando as medidas de Obama -, isso abriria a porta para ações judiciais de ativistas do meio ambiente. / EFE, AFP e REUTERS

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