Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Trump adia discurso sobre 'Estado da União' até fim da paralisação do governo

Mais cedo, presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, vetou a realização da cerimônia no Congresso; sessão estava marcada para a próxima terça, 29

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 04h41

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 23, que adiará o seu discurso sobre o 'Estado da União' até o fim da paralisação parcial do governo - o mais longo da história do país. Mais cedo, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, vetou a realização do discurso. A tradicional sessão estava marcada para a próxima terça, 29.

De acordo com Trump, 'não é possível competir com a história, tradição e importância da Câmara dos Representantes' e, por essa razão, não iria buscar alternativas após o veto de Pelosi. A atitude incomum da oposição ocorreu após Trump afirmar que faria o discurso em meio à histórica paralisação parcial do governo. 

 

"Enquanto a paralisação ocorria, Nancy Pelosi me perguntou se eu faria o discurso do Estado da União. Eu aceitei", escreveu Trump, no Twitter. "Então, ela mudou de ideia por causa da paralisação, sugerindo um adiamento. Essa é a prerrogativa dela - e eu farei o discurso quando a paralisação acabar."

O "Estado da União" é um discurso tradicional no qual o presidente americano presta contas às duas casas do Congresso, a Câmara dos Representantes e o Senado, sobre a situação atual do governo dos Estados Unidos. O mandatário também anuncia a agenda legislativa da Casa Branca e quais ações deverão ser feitas nos próximos meses. A sessão, no entanto, precisa de autorização do legislativo para ser realizada.

Apesar de estar previsto na constituição, o discurso do Estado da União não precisa ser necessariamente realizado em janeiro, como é feito tradicionalmente. Na carta magna americana, é dito que "o presidente deve, de tempos em tempos, dar ao Congresso informações sobre o Estado da União". Trump também não é o primeiro presidente a adiar o discurso: em 1986, Ronald Reagan remarcou a cerimônia após a nave espacial Challenger explodir durante um voo naquele ano.

Em meio à maior paralisação do governo americano, discussões sobre a realização do evento tramitavam entre a Casa Branca e o Congresso junto com novas propostas para encerrar o impasse. Nesta sexta, 25, cerca de 800 mil servidores e funcionários do governo não receberão salário pela segunda vez seguida e, apesar da situação dramática, não há previsão de acordo entre Trump e os democratas para dar fim ao entrave.

Nesta semana, duas propostas foram apresentadas no Senado para acabar com a paralisação. O projeto republicano prevê os US$ 5,7 bilhões para a construção do muro na fronteira sul com o México. A proposta democrata, no entanto, não conta com o montante para o financiamento, e propõe a reabertura do governo para prosseguir com negociações sobre segurança nacional e imigração. Ambas as propostas devem ser rejeitadas. //ASSOCIATED PRESS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.