Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

'Mísseis chegarão'; Trump avisa Rússia que Síria será alvo após ataque químico

Porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores disse que 'mísseis inteligentes devem voar na direção de terroristas e não de um governo legítimo'; para Damasco, ameaças do republicano são uma 'escalada perigosa'

O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 08h27
Atualizado 11 Abril 2018 | 15h30

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu nesta quarta-feira, 11, a Rússia sobre seu apoio ao regime do líder sírio, Bashar Assad, e declarou que “os mísseis chegarão” à Síria em resposta ao ataque químico no país.

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"A Rússia promete abater todos os mísseis que sejam disparados contra a Síria. Prepare-se Rússia, porque eles chegarão lindos, novos e 'inteligentes'! Vocês não deveriam ser parceiros de um animal assassino com gás que mata seu povo e se diverte", escreveu Trump em sua conta no Twitter. 

As declarações do presidente americano foram respondidas pelo Kremlin na tarde desta quarta. O governo russo afirmou que "não participa da tuíte-diplomacia" e é a favor de "abordagens sérias". 

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A Síria considerou como uma "escalada perigosa" as ameaças de Trump contra o seu território, segundo a agência oficial de notícias Sana. "Não estamos surpresos com essa escalada perigosa de um regime como os EUA, que patrocinou e ainda patrocina o terrorismo na Síria", disse uma fonte do Ministério sírio das Relações Exteriores.

A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, respondeu no Facebook às ameaças de Trump e disse que "mísseis inteligentes devem voar na direção de terroristas e não do governo legítimo que tem combatido o terrorismo internacional em seu território por diversos anos".

A Rússia também insinuou que os ataques americanos contra o regime de Damasco podem servir para "apagar os vestígios das provocações" que os ocidentais denunciam como um ataque químico no reduto rebelde de Duma. "A ideia seria apagar rapidamente os vestígios das provocações mediante o lançamento de mísseis inteligentes e assim os investigadores não teriam nada a achar como provas", sugeriu Maria Zakharova.

Ela ainda desaconselhou qualquer ação na Síria que possa "desestabilizar a já frágil situação da região", após as ameaças das potências ocidentais de bombardear alvos sírios em resposta ao suposto ataque com armas químicas. 

"Como antes, esperamos que todas as partes evitem qualquer ação, que em nenhum caso seria justificável e poderia desestabilizar a já frágil situação da região", afirmou Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin. "A situação atual é muito tensa."

As potências ocidentais, lideradas pelos EUA, ameaçam com uma resposta militar iminente o regime de Assad após um suposto ataque químico contra Duma. O governo sírio, assim como a Rússia, nega a ação. 

Na terça-feira, a Rússia vetou no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução dos EUA que pretendia criar um mecanismo de investigação independente sobre o recurso de armas químicas na Síria.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lamentou o bloqueio de Moscou, embora tenha evitado se pronunciar sobre se apoiará uma eventual reação conjunta de Washington e Paris. "É lamentável essa resolução não ter prosperado", afirmou ela, sobre um texto que propunha a criação de um mecanismo de investigação com analistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ). / AFP e REUTERS

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