Carlos Barria/REUTERS
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Trump afasta lockdown contra covid em seu governo, mas diz que não sabe o que ocorrerá no futuro

Presidente falou publicamente pela primeira vez desde o anúncio da vitória do democrata Joe Biden; segundo ele, a vacina da Pfizer deve ser aprovada logo e seu governo pretende começar a imunizar os mais vulneráveis 'em questão de semanas'

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 18h47
Atualizado 13 de novembro de 2020 | 21h53

WASHINGTON - Ao falar publicamente pela primeira vez desde o anúncio, no sábado, da vitória do democrata Joe Biden, o presidente Donald Trump garantiu nesta sexta-feira, 13, que na sua administração não haverá lockdown, mas não sabe dizer o que acontecerá no futuro. "Quem sabe o que vai acontecer agora", disse o presidente. Sem mencionar as eleições no pronunciamento, foi o mais próximo que ele chegou até agora de reconhecer que Biden pode sucedê-lo.  

Em seu discurso no Jardim das Rosas da Casa Branca, o presidente falou sobre a Operação Warp Speed, que coordena a fabricação e distribuição de uma vacina contra a covid-19 que assola o país. O presidente demonstrou otimismo sobre a vacina da Pfizer.

Durante o pronunciamento, o republicano, que voltou a se referir ao coronavírus como o "vírus da China", disse que a eficácia dela tem se mostrado superior a 90% e que nas próximas semanas deve haver notícias sobre outras três vacinas que estão em fase de testes.

Ao afastar a possibilidade de adotar um lockdown, ele ressaltou os problemas causados com esse tipo de medida,  como aumento no abuso de álcool e suicídios, segundo o presidente.  Ao dizer que rechaça essa medida em seu governo, disse esperar que ela não seja adotada adiante também. "O tempo dirá quem assumirá em janeiro", comentou nesse momento.

Ele também citou uma divergência com o governo democrata de Nova York, ao dizer que por enquanto esse Estado não aceitou liberar a entrada da vacina, "infelizmente". "É dolorido dizer isso." 

Trump disse esperar que a vacina da Pfizer seja aprovada logo e afirmou que seu governo pretende começar a imunizar os mais vulneráveis à doença "em questão de semanas", qualificando-a como "muito eficaz e segura". 

Segundo ele, o número elevado de casos nos EUA é fruto, na verdade, do fato de o país ser muito eficiente nos testes para a doença. "Temos o melhor sistema de testes do mundo", garantiu.    

Com a vacina, Trump disse que sua administração espera uma queda no número de casos da covid-19 rapidamente nos próximos meses. Também destacou o papel que medicamentos podem ter para evitar casos mais graves, ao dizer que eles já têm reduzido a mortalidade da doença em 85%.    

Trump não respondeu a perguntas de jornalistas que cobriam o evento. 

Nas redes sociais, a principal reação sobre o pronunciamento de Trump foi com seu cabelo, que apareceu em um tom entre cinza e branco, diferentemente do tradicional loiro, uma assinatura do republicano. "Sou eu ou o cabelo de Trump passou de loiro para grisalho esta semana? Triste", escreveu um usuário.


 

Últimas projeções 

As grandes cadeias de TV e jornais americanos projetaram nesta sexta-feira os dois últimos Estados, dando uma vitória para Biden na Geórgia e para Trump, na Carolina do Norte. Com isso, Biden conquistou 306 votos no colégio eleitoral enquanto Trump somou 232. Ironicamente, esse foi o número inverso entre a democrata Hillary Clinton e o republicano em 2016. 

Biden conquistou quase 78 milhões de votos na votação popular, mais de 5 milhões a mais que Trump. Sua vitória na Geórgia, onde os democratas não venciam desde 1992, com Bill Clinton, solidificou seu triunfo, pouco depois de confirmada também a vitória no Arizona, nas mãos dos republicanos desde 1996.

A vitória na Carolina do Norte projetada ao presidente republicano hoje não foi suficiente para reverter a vantagem de Biden no colégio eleitoral, de 538 membros, que decide formalmente a presidência dos EUA. /COM AFP 

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