REUTERS/Kevin Lamarque
REUTERS/Kevin Lamarque

Trump afirma que conflito com Irã 'não iria durar muito tempo'

Em entrevista à TV americana, presidente dos EUA afirmou que o país está numa 'posição forte' em relação ao Irã; presidente iraniano afirmou que 'não busca guerra com país algum'

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 22h18

TEERÃ - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 26, que um eventual conflito com o Irã "não iria durar muito tempo". A afirmação foi feita em entrevista à rede Fox Business News.

 Ao ser questionado sobre o tema, o presidente disse esperar que não haja guerra. "Mas estamos em uma posição muito forte, se uma coisa dessas chegar a acontecer. Estamos em uma posição muito forte e posso dizer que não iria durar muito. E não estou falando de tropas no terreno", disse. 

Na atual crise com a República Islâmica, que se agravou depois de o Irã derrubar um drone de vigilância dos EUA na semana passada, Trump se mostrou tanto duro quanto conciliador.

Disse que todas as opções estão sobre a mesa e ameaçou adotar novas sanções, mas, ao mesmo tempo, ofereceu a possibilidade de diálogo a Teerã para renegociar o acordo nuclear multilateral. Washington abandonou este pacto no ano passado.

Essa saída é vista como a gênese da deterioração das relações entre os dois países no último ano.

Em meio à escalada de tensão, o presidente iraniano, Hassan Rohani, disse nesta quarta que o Irã "não busca a guerra com país algum", nem mesmo com os Estados Unidos.

"O Irã não tem interesse em aumentar a tensão na região e não busca a guerra com país algum, incluindo os Estados Unidos", declarou Rohani, em conversa por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, segundo a agência oficial de notícias iraniana, Irna.

Sobre o futuro do acordo internacional envolvendo o programa nuclear iraniano, ameaçado desde a retirada unilateral dos Estados Unidos, em 2018, Rohani expressou a decepção dos iranianos com o que Teerã considera a inação dos países europeus.

Rohani insistiu que "a adesão do Irã (ao acordo sobre o programa nuclear concluído em 2015) estava condicionada às promessas europeias de assegurar os interesses econômicos do país, nenhuma delas concretizada".

As palavras, no entanto, contrastam com o teor muito severo de uma nota publicada pelo almirante Ali Shamjani, secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional, ligado aos conservadores, publicada na terça-feira pela agência Fars.

No documento, o oficial afirma que não há nada a esperar dos europeus e que o Irã aplicará de forma "resoluta" a segunda fase do "plano de redução" dos compromissos na área nuclear, a partir de 7 de julho.

Isto significa que o Irã voltará a enriquecer urânio a um nível proibido pelo acordo de 2015 de Viena e reativará o projeto de água pesada em Arak (centro), atualmente suspenso. O país anunciou que no fim de junho superará o limite imposto de 300 kg de urânio enriquecido.

As palavras de Rohani, porém, dão a entender que ainda existe margem para salvar o acordo e reverter as decisões.

Pelo acordo de Viena, o Irã se comprometeu a não produzir armamento atômico e a limitar drasticamente seu programa nuclear, em troca da suspensão parcial das sanções internacionais que asfixiavam sua economia. / AFP             

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.